Número 956,

Cultura

Representatividade

Estação Plural: ainda plurais

por Pedro Alexandre Sanches — publicado 19/06/2017 01h00, última modificação 14/06/2017 16h23
Programa na TV Brasil é um dos raros casos de promoção da diversidade e da igualdade na televisão brasileira
TV Estação Plural

O programa é um dos poucos sobreviventes a resistir às mudanças do governo Temer na emissora

Na terra arrasada de direitos e humanidades chamada “governo” Michel Temer, são poucos e admiráveis os sobreviventes. Um dos casos raros é o do programa Estação Plural, da emissora “pública” TV Brasil, centrado na promoção da diversidade e da igualdade entre desiguais.

Após estrear no apagar das luzes do último governo eleito no Brasil e de amargar os mesmos temporais que fustigam a TV Brasil e a democracia brasileira, o programa estreia segunda temporada na condição de sobrevivente, senão de cota mínima.

O preceito do Estação Plural explica-se pelas identidades múltiplas do trio apresentador-entrevistador, formado pela cantora e compositora negra e lésbica Ellen Oléria, pela cantora transexual Mel Gonçalves (também integrante da Banda Uó) e pelo jornalista gay Fernando Oliveira. Nas três estão representadas diversas minorias, sexuais, raciais, identitárias, e o que mais se puder enumerar.

Os convidados ainda obedecem à norma iniciada na primeira temporada, que incluiu nomes como Ney Matogrosso e Rico Dalasam. Nesta segunda, a lista incluirá a escritora e militante negra Conceição Evaristo, a funkeira e pensadora trans Linn da Quebrada e a cantora e compositora (e filha de Itamar Assumpção) Anelis Assumpção.

Outros entrevistados anunciados, como o roqueiro branco louro Supla e a apresentadora do SBT Chris Flores, dão margem a especular sobre uma possível guinada editorial, resultante do desmonte da equipe de criação original, da emissora e do País.