Número 953,

Política

Opinião

O grito é de todos

por Mauricio Dias publicado 20/05/2017 04h00, última modificação 19/05/2017 15h08
Não há quem não concorde: fora Temer. Associam-se encantados os seus ex-amigos, correligionários e sabujos globais

A agressividade da palavra de ordem “Fora Temer”, um norte dedicado essencialmente à militância do Partido dos Trabalhadores e aliados, após um longo ano do governo-tampão do PMDB adapta-se perfeitamente agora à voz de qualquer cidadão indignado. 

 O ex-vice-presidente perdeu definitivamente as condições políticas e morais de permanecer no cargo de presidente da República, para o qual foi projetado a partir do golpe contra Dilma Rousseff. Disposto e enfrentar o terremoto, ele insiste em ficar na Presidência. Bateu o pé. Por isso vai virar suco.

Até que a bomba explodisse no colo de Temer havia na cúpula do PMDB uma alegria, ainda contida, com a possibilidade de transformar o atual presidente em candidato à reeleição. Nos dias circulares a 12 de maio, a agenda de Temer esteve tomada por entrevistas para jornais, rádios e tevês. Ele falou o que quis e o que não quis.

Para uma emissora de tevê ele, atacado pelo fogo amigo, respondeu sobre a possibilidade de disputar a eleição presidencial em 2018: “Não tenho nenhuma intenção de continuar na atividade política”. Na sequência da resposta tropeçou, como de costume. Emergiu do íntimo dele esta revelação: “Eu só espero que as reformas deem certo e que não haja necessidade de pedir para eu continuar”.

Esse sonho virou pesadelo. Os peemedebistas desconsideraram a dificuldade de Temer sobreviver às traquinagens da política, desmascaradas ora pelos empreiteiros, como a Odebrecht, ora pela poderosíssima JBS, a Friboi.

Exceto em algumas referências negativas banais, a imprensa tupiniquim pró-golpe louvou o primeiro ano de governo. Não há registro, no entanto, de que o presidente da República tenha sido procurado pela mídia estrangeira. Talvez os correspondentes internacionais tenham sido contidos por uma barreira de constrangimento político. Como Temer poderia explicar o golpe dentro das regras de um regime democrático?

 O nome do presidente-tampão, sem votos, foi incluído em algumas pesquisas feitas ao longo desses 12 meses. Testado para a disputa presidencial, sem golpe, ele alcançaria no máximo 2 pontos, se a eleição fosse hoje. Isso tudo acabou.

A reação, representada pelo PSDB, PMDB e DEM, entre outras siglas menores, a cada dia se desmancha mais. Forçado a se licenciar da presidência dos tucanos, Aécio Neves deixa o caminho aberto para os potenciais candidatos paulistas: o governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria Junior.

 Há vagas abertas para disputar a Presidência de 2018. Michel Temer perdeu a chance, o espaço político, no entanto, nunca fica vazio.