Número 952,

Saúde

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O que fazer em caso de parada cardíaca?

por Riad Younes publicado 28/05/2017 00h06, última modificação 26/05/2017 11h19
Não importa de onde venha, o socorro é bem-vindo. Os leigos também podem salvar
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Primeiros socorros

Basta seguir estes passos

Cuidar de um paciente que apresenta súbita parada cardíaca é o maior desafio. Geralmente, o quadro é grave e as consequências, quando o paciente sobrevive à crise aguda, podem ser desastrosas. Sequelas neurológicas são as mais temidas. 

A recomendação atual é de iniciar a reversão da parada cardíaca o mais rapidamente possível, tendo em vista a pouca tolerância do tecido cerebral à falta de oxigênio. Massagem cardíaca, ventilação e desfibrilação, quando necessário. 

O problema é que a maioria das pessoas tem parada cardíaca longe de hospitais e de pessoas treinadas na área de atendimento de saúde (médicos, enfermeiros etc.). Por isso, sempre se recomendou treinar as pessoas leigas no melhor cuidado em caso de parada cardíaca. 

Recentemente, foi disseminada a disponibilização de aparelhos automatizados de desfibrilação cardíaca, que ajudam de forma eficiente a reverter a arritmia mais comum nessa situação. Mas ninguém sabia ao certo qual seria a eficácia dessas recomendações no dia a dia da vida urbana. 

Um estudo extenso, recentemente publicado na revista New England Journal of Medicine, avaliou exatamente qual seria o impacto da atitude dos leigos, por acaso presentes ao lado do paciente com parada cardíaca, sobre sua evolução, mortalidade e ocorrência de sequelas nos sobreviventes. 

O doutor Kristian Kragholm liderou um time de cientistas das universidades da Dinamarca que encontrou 2.855 pacientes que sobreviveram a uma parada cardíaca, entre 2001 e 2012. Avaliaram o envolvimento de pessoas no local do acontecimento, antes da chegada de equipes de emergência ou entrada em pronto-socorro.

Observaram que, de 2001 a 2012, aumentou a taxa de manobras de ressuscitação de 66% a 80%, e do uso de desfibrilador automático de 2% a 16%. Nesse mesmo período, houve redução das sequelas neurológicas de 10% a 7% nesses sobreviventes. Significativamente, um menor número de pacientes foi admitido nas casas de saúde por deficiência física pós-parada. 

Concluíram os autores dinamarqueses que o envolvimento de leigos presentes no local pode ser determinante para evitar danos neurológicos incapacitantes ou irreversíveis em pacientes que sofreram parada cardíaca.

Reiteram as recomendações de esclarecimento e treinamento para a população leiga sobre o melhor cuidado nessa situação, além de considerar a disponibilização de aparelhos desfibriladores, distribuídos nos locais públicos. 

No Brasil, apesar da existência de lei que torna obrigatório o desfibrilador cardíaco, a maioria das autoridades descumpre essa exigência, com o potencial de maior mortalidade e sequelas graves e a consequente perda de produtividade e recursos públicos para manejá-las. Mais uma dica científica para os nossos governantes.

registrado em: Riad Younes, SUS