Número 950,

Saúde

Neurociência

O seu cérebro é mais velho ou mais jovem do que você?

por Rogério Tuma publicado 11/05/2017 00h19, última modificação 10/05/2017 13h12
Quais as diferenças entre idade mental e idade real
Cérebro

Pesquisa consegue predizer a idade biológica do cérebro com métodos não invasivos

Um artigo de pesquisadores do Reino Unido publicado na revista Molecular Psychiatry (com data de 25 de abril) comprova que a idade biológica do seu cérebro é muito mais importante que aquela que aparece em seu RG.

O tamanho do cérebro nunca foi documento, mas, atualmente, se o seu cérebro está mais enrugado que sua pele, isso pode significar que sua vida será mais curta do que você imagina. Cientistas do Imperial College de Londres descobriram um algoritmo que pode indicar com bastante acurácia o quanto a idade de seu cérebro é diferente de sua idade cronológica.

Os pesquisadores usaram imagens de Ressonância Nuclear Magnética, hoje o mais sensível dos exames de imagem, para avaliar o cérebro de 2001 voluntários com idades entre 18 e 90 anos. As imagens também foram comparadas com os exames de idosos que moram em uma região de Edimburgo e Lothians, na Escócia, que têm seus dados de saúde analisados desde que nasceram nessas regiões em 1936.

As comparações foram feitas para identificar se alterações específicas do cérebro poderiam estar associadas a doenças ligadas à idade, como Alzheimer ou a perda cognitiva, como esquizofrenia e trauma cranioencefálico. E se alguma alteração anatômica do cérebro poderia estar associada a maior risco de morte.

A pesquisa não só conseguiu predizer a idade biológica do cérebro dos indivíduos com precisão, mas também demonstrou que as alterações epigenéticas que o cérebro sofreu durante sua vida poderiam provocar um envelhecimento precoce e encurtamento da existência do corpo como um todo.

Apesar de envelhecermos como um mosaico, onde diferentes órgãos e tecidos se desgastam em velocidades diferentes, todos fazem parte de um mesmo organismo. As doenças neurodegenerativas causam grande impacto no nível de bem-estar de um indivíduo e, portanto, utilizar o cérebro como um marcador de idade parece ser uma grande ideia.

É normal que, com o decorrer do tempo, nosso cérebro se atrofie. A taxa desse encolhimento natural é de 0,1% a 0,4% e não compromete nossa memória ou outras funções cognitivas. Em algumas doenças, como na esclerose múltipla, esta atrofia é difusa e corre no dobro ou triplo da velocidade; em outras doenças, ela pode ser mais focal no início e ainda mais rápida, como o é na doença de Alzheimer.

O doutor James Cole e seus colaboradores compararam as imagens do cérebro dos indivíduos com sua força, capacidade respiratória, velocidade da marcha, e notaram que os voluntários que tinham o cérebro mais gasto, e com idade aparente maior do que a de seu proprietário, apresentavam uma performance pior nessas áreas e ainda um maior risco de não sobreviverem até os 80 anos.

A importância do estudo é que este conseguiu demonstrar uma forma não invasiva – pois o exame de Ressonância não necessita de aplicação de cateteres ou cirurgia – de analisar o envelhecimento cerebral e identificar os idosos com maior risco de doenças relacionadas a idade antes mesmo de elas ocorrerem. 

registrado em: Rogério Tuma, Neurociência