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Kiko Loureiro, de fã a guitarrista premiado do Megadeth

por Jotabê Medeiros — publicado 12/04/2017 00h30, última modificação 11/04/2017 15h27
Vencedor do Grammy, o músico fala dos preconceitos contra o estilo e incentiva artistas a planejarem sua carreira
Henrique Grand e Leo Aversa
Kiko Loureiro

"Músicos acham que é errado planejar a carreira", afirma o atual guitarrista do Megadeth

Em 1991, o carioca Pedro Henrique Loureiro, chamado pelos amigos de Kiko, chegou ao Rock in Rio mais cedo para ficar acampado na fila para o show da banda Megadeth, de quem era fã. Em 2015, 21 anos depois, recrutado pela banda estadunidense, chegou a Nashville para assumir o lugar de guitarrista.

Com o Megadeth, em fevereiro, tornou-se o primeiro brasileiro a ganhar um prêmio Grammy pela performance de heavy metal. Fundador do grupo brasileiro Angra, foi capa da Guitar Player. Ele falou a CartaCapital.

CartaCapital: Quando o Megadeth ganhou o Grammy, tocaram uma música do Metallica. Você achou isso um desrespeito?

Kiko Loureiro: Olha, gafe mesmo foi não funcionar o microfone do James Hetfield, do Metallica, na hora que ele foi cantar Master of Puppets. Era o único cara do metal no show. Aí a gente se pergunta: será que os caras realmente se importam com o heavy metal?

CC: Você criou uma plataforma de ensino de negócios musicais. É algo para metaleiro?

KL: Não, é para todo mundo. Tem violeiro, sanfoneiro, produtor. Eu errei muito na minha carreira, fiz contratos que não deveria. Por que não ensinar isso? Músicos acham que é errado pensar na carreira, que alguém vai fazer isso por eles. Sujar as mãos com negócios, artistas? Mas Frank Zappa fez isso, Miles Davis fez isso. De repente, o cara que está com um violão na beira da praia se pega tocando para um estádio inteiro. É preciso se preparar.

CC: E como se preparar num tempo em que não há mais a velha indústria musical?

KL: Assim como as gravadoras têm de inventar um novo modelo de mercado, e estão fazendo isso com o streaming e outras plataformas, o artista tem de se manter ligado. Tem de ter um social media ativo, fugir do esquema tradicional. Vi muita gente talentosa desistir por esse medo de viver da música, da arte, de levar a sério a profissão.

CC: O Megadeth acaba de lançar um disco chamado Dystopia. Tem a ver com a política dos Estados Unidos?

KL: O disco é superpolitizado. Essa visão de um mundo distópico é marca das composições de Dave Mustaine. Em Pequim, na China, nos proibiram de tocar algumas canções, como Holy Wars. Eu me senti nos anos 1970 no Brasil. Na banda, o negócio é multicolorido. Mas sentem a pobreza aumentando nos Estados Unidos, coisa que não viam antes.

registrado em: Kiko Loureiro, Megadeath, Grammy