Número 937,

Cultura

Cinema

Beatles: oito dias por semana

por Jotabê Medeiros — publicado 01/02/2017 00h30, última modificação 31/01/2017 15h28
O documentário Eight Days a Week: The Touring Years soma encenação histórica e imagens nunca vistas
Beatles

Ringo, Paul John e George revisitados pela lente de Ron Howard

Foram feitos mais de 30 filmes sobre os Beatles até hoje. O que credenciaria um novo documentário a ser procurado pelo espectador? O que há mais a ser visto?

O cineasta Ron Howard, com Eight Days a Week: The Touring Years, mostra que há muito mais ainda, e mesmo o que já é muito conhecido pode vir a ser concatenado em uma narrativa de clareamento artístico.

A perspectiva, os anos de turnê, circunscreve o filme à beatlemania e sua histeria global, mas também permite que as circunstâncias históricas iluminem melhor a trajetória dos Fab Four.

Para isso, Howard vale-se de depoimentos insuspeitos, de gente que de alguma forma viveu como anônimo aquele período, e hoje é famoso: Whoopi Goldberg, Sigourney Weaver, Elvis Costello. E os sobreviventes, Paul e Ringo, falam muito. O diretor aprofunda episódios pouco conhecidos, como a reação dos Beatles ao racismo durante os anos da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.

É profundamente emocionante a narrativa de seu show no Gator Bowl, em Jacksonville (Flórida), e o depoimento de negros que estiveram lá, como a acadêmica e cantora Kitty Oliver. A cogestão dos rumos do grupo é examinada de um jeito carinhoso. Há pouco atrito no documentário, pouca droga, pouca briga. Há mais camaradagem.

Muito antes das redes sociais, os Beatles valiam-se de uma estratégia inusitada de divulgação pessoal. Cooptaram o radialista Larry Kane para acompanhá-los em sua turnê americana. “Por que eu, um homem de notícias, iria querer acompanhar uma banda que chega em outubro e se vai em novembro?”, perguntou Kane.

O pai dele o desaconselhou: “Cuidado, eles são uma ameaça à sociedade”. Ainda assim, Kane seguiu com eles e seu depoimento, em 1964, foi profético: aquela turnê mudaria completamente a história da música pop, do show biz, do entretenimento e da cultura jovem ao redor do mundo.

Há um pouco de encenação histórica e cenas nunca vistas. A controvérsia é a versão aceita por Howard de que o final dos Beatles foi decretado por George Harrison. Esse é um final aberto: ninguém jamais saberá ao certo.

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