Número 794,

Cultura

Bravo!

Prova adulta

por Orlando Margarido — publicado 06/04/2014 05h11, última modificação 07/04/2014 09h01
O filme "Eu Quero Voltar Sozinho" tem uma elaborada composição de detalhes que busca escapar ao imediatismo de uma história de amor

Há em Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, estreia de quinta 10, uma elaborada composição de detalhes que busca escapar ao imediatismo de uma história sobre a descoberta do amor gay entre adolescentes. Se a esta se chega, é pelo viés da delicadeza antes do que da evidência. Assim, quando Gabriel (Fabio Audi) se apresenta aos colegas da nova escola, será sua voz o elemento de interesse de Leo-

nardo (Guilherme Lobo), garoto cego que tem apoio no cotidiano da amiga Giovana (Tess Amorim). Ainda que a falta de visão seja fator óbvio, um plano do ouvido nos faz crer numa diferença de sensibilidade que servirá a todo o relato. Mesmo dotado de sentidos, Gabriel não será o primeiro a ter claro o sentimento a unir os dois senão quando se expõem nus, em outra sequência inspirada.

Com esse bom manejo dos paradoxos universais da paixão e não apenas de conotação homossexual, o diretor Daniel Ribeiro se fez compreendido. No recente Festival de Berlim, sua estreia no longa-metragem venceu os prêmios Teddy Bear, dedicado à temática, o da crítica internacional (Fipresci) e um valioso segundo lugar na preferência do público na seção paralela Panorama. Conquistar diferentes grupos de opinião é raro, e Ribeiro havia experimentado reação similar ao lançar, em 2010, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, com os mesmos personagens, atores e situação. Ampliou-se agora o contexto com a inclusão dos adultos, os pais e a avó de Leonardo, e um ou outro dilema. Como nos fatos, descobertas e incertezas para a prova da vida adulta pertencem aos que estão crescendo.

registrado em: Cinema, Homossexualidade