Número 748, Maio 2013

Sociedade

Drogas

Apesar da guerra às drogas, uso de heroína cresce nos EUA

por Eduardo Graça — publicado 10/05/2013 11h56
Os EUA já gastaram 1 trilhão de dólares na guerra às drogas, mas o tráfico aumenta no país
S Berterame / UN Photo / Unodc
Heroína

Imagem mostra heroína apreendida no Turcomenistão

De Nova York

Apesar do trilhão de dólares gasto na guerra às drogas, os Estados Unidos voltaram a conviver com a epidemia do consumo de heroína. Segundo o relatório anual do instituto National Survey on Drug Use and Health (NSDUH), houve um aumento expressivo do tráfico em todo o país. E mais: a expansão migrou dos grandes centros urbanos para os rincões da América profunda.

Na Carolina do Norte, traficantes oferecem “pacotes especiais” a moradores de áreas nobres nas imediações de Charlotte. No rico nordeste, o Northern New England Poison Center anunciou uma explosão de casos de overdose nos estados do Maine, Vermont e New Hampshire. De acordo com o National Institute of Drug Abuse (NIDA), um em cada cinco pacientes em busca de internação nos hospitais públicos de Minnesota o fazem por conta da dependência química de heroína e derivados.

“O uso de heroína é impressionante. Nunca vimos nada assim anteriormente no estado. É uma droga relativamente barata e com alto nível de pureza. E é surpreendente o aumento de casos em locais distantes de Minneapolis e Saint Louis. Eles agora aparecem em áreas mais pacatas, como as do Lago Woebegone” afirmou Carol Falkowski, do NIDA.

Além do fechamento de clínicas e do aumento da restrição de venda de drogas sintéticas, a alta súbita do consumo de heroína está ligado, segundo especialistas, à redução do orçamento das famílias americanas. Enquanto 80 miligramas de oxicodona custa de 80 a 100 dólares por comprimido, uma dose de heroína sai a 9 dólares nas principais cidades americanas.

“Os novos usuários e traficantes são em sua maioria jovens entre 17 e 29 anos. Os consumidores buscam a heroína por motivos econômicos, pois se consegue um efeito maior gastando menos do que com analgésicos comprados na farmácia com receita médica”, afirmou à mídia Amy Roderick, da agência de combate às drogas.

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