Weintraub usa imagem de gibi para atacar a China novamente

Ministro insinua, usando capa do gibi do Cebolinha, que China tem interesses geopolíticos na pandemia de coronavírus

(Foto: Carolina Antunes/PR)

(Foto: Carolina Antunes/PR)

Política,Saúde

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, usou suas redes sociais na manhã deste sábado 04 para provocar a China novamente. Poucas semanas após o Brasil ter encarado uma crise diplomática com seu maior parceiro comercial em decorrência de acusações falsas ditas por Eduardo Bolsonaro, o ministro insinuou que a China poderia sair fortalecida da crise. Para isso, usou uma capa de gibi da Turma da Mônica.

O modo de falar do personagem Cebolinha, que troca os r’s por l’s nas histórias criadas por Maurício de Souza, é usado na postagem. Nela, Weintraub publica uma capa de edição do gibi infantil que celebra a China e, junto a ela, escreve: “Geopoliticamente, quem poderá sair fortalecido, em termos relativos, dessa crise mundial? Poderia ser o Cebolinha?”. No entanto, o ministro troca os r’s por l’s – uma referência em tom de chacota ao sotaque de asiáticos.

Não é a primeira vez que o ministro usa as redes para incentivar publicações que insinuam que a China é responsável pela pandemia de coronavírus, que já atingiu boa parte do mundo e tem mais de 1.4 milhão de casos confirmados, além de mais de 60 mil óbitos. Quando Eduardo Bolsonaro foi rebatido pela Embaixada da China, Weintraub o apoiou.

Mais recentemente, o ministro tem usado seu espaço para disseminar outras teorias infundadas sobre interesses escusos na pandemia. “Foi um crime perfeito? Quase todos nós brasileiros perdemos muito em pouquíssimo tempo. Há algum país ganhando poder geopolítico com a crise? Há famílias privilegiadas no Brasil ganhando com isso? Tais famílias têm alianças ou acordos com tal país? Foi tudo uma coincidência?”, escreveu no dia 02 de abril.

Neste sábado 04, a China declarou um dia de luto oficial pelas mais de 3400 mortes ocorridas no país entre dezembro e março, quando a curva de contaminação começou a cair no país. “Nossas mais profundas condolências àqueles que deram a vida pela luta e a todas as vítimas da pandemia. Que descansem em paz!”, escreveu a Embaixada chinesa no Twitter.

O Brasil, por outro lado, tem sido encarado pelo resto do mundo como um País com líderes inconsequentes. Em uma charge, a revista britânica The Economist, referência política e neoliberal, retratou nesta semana o presidente Jair Bolsonaro como um político que chamava a população às ruas no meio de desenhos de vírus. “Uma chuvinha não vai machucar vocês!”, diz o desenho.

Até o momento, o Brasil tem 9.244 casos e 366 mortes pela Covid-19, segundo informado pelas secretarias estaduais de Saúde neste sábado. O mês de abril é considerado o período em que a epidemia atingirá o seu pico no Brasil, de acordo com as projeções do Ministério da Saúde.

Charge da revista The Economist mostra Bolsonaro chamando população às ruas em meio a vírus: “Uma chuvinha não vai machucar vocês!”, diz o desenho.

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