‘Vai ter eleição, não vou melar’, promete Bolsonaro à Veja

Em entrevista, o presidente confirmou ainda que deverá concorrer à reeleição por um partido do Centrão

Foto: Reprodução

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Política

Em uma nova tentativa de mostrar que ‘moderou o tom’, o presidente Jair Bolsonaro prometeu que não irá interferir nas eleições em 2022, garantindo que o pleito ocorrerá normalmente. Afirmou ainda que será candidato por um partido do Centrão e que passou a confiar mais no sistema eletrônico desde a formação da Comissão da Transparência das Eleições com a presença de um militar, proposta do ministro Luís Roberto Barroso. As declarações foram dadas em entrevista à revista Veja, publicada nesta sexta-feira 24.

“Vai ter eleição, não vou melar, fique tranquilo, vai ter eleição”, prometeu o ex-capitão. Em outro momento, ele afirma que as chances de um golpe são ‘zero’, ainda que alguns integrantes do governo, que não nomeou, o pressionassem para tal.

Segundo o ex-capitão, a nova postura decorre da formação da Comissão da Transparência das Eleições com a presença de diversos setores da sociedade, incluindo um integrante militar, para acompanhar cada etapa do processo.

“As Forças Armadas têm condições de dar um bom assessoramento [ao TSE]. Com as Forças Armadas participando, você não tem por que duvidar do voto eletrônico. As Forças Armadas vão empenhar seu nome, não tem por que duvidar. Eu até elogio o Barroso, no tocante a essa ideia”, justificou.

Ainda sobre o pleito, o presidente não mais tergiversou e confirmou que deverá concorrer à reeleição, ainda que as pesquisas indiquem poucas chances de ele sair vitorioso. “Pesquisa é uma coisa, realidade é outra.”

Bolsonaro, que em 2018 prometia não se aliar ao Centrão, agora diz que o partido que deve abrigar a sua nova candidatura será um do grupo.

“Eu não vou fugir de estar no PP, PL ou Republicanos. Não vou fugir de estar com esses partidos, conversando com eles”, diz. Em seguida, ele explica que o PTB de Roberto Jefferson, preso por atos antidemocráticos, também ofereceu a ele uma filiação, no entanto, deixa subentendido que já recusou a proposta. O PTB tornou-se recentemente o lar de extremistas e reacionários no Brasil.

‘A hidroxicloroquina nunca matou ninguém’

Na entrevista, Bolsonaro tratou também das acusações de genocídio que pesam contra ele na CPI da Covid, em relatórios de juristas e até em denúncias em tribunais internacionais. Para ele, tudo não passaria de mentiras e falsas acusações, garantindo que não está arrependido da política negacionista que adotou como principal fio condutor do seu governo na pandemia.

“Não errei em nada”, avalia. “ A história vai mostrar que as medidas que tomamos, concretas, econômicas, ajudando estados e municípios com recursos, salvaram as pessoas”, completa mais adiante.

Na análise, faz questão de defender o ineficaz tratamento precoce e atacar novamente a eficiência da vacinação e do lockdown para conter a pandemia.

“Continuo defendendo a cloroquina. Eu mesmo tomei quando fui infectado e fiquei bom. A hidroxicloroquina nunca matou ninguém”, disse o presidente, ignorando todas evidências científicas que comprovam a ineficácia do medicamento e a ligação do remédio com complicações na saúde dos pacientes.

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