Política

TV Globo repudia ataques de Bolsonaro à jornalista Miriam Leitão

‘É preciso dizer com todas as letras que não é a jornalista quem mente’, dizia a nota veiculada durante a edição do Jornal Nacional

A TV Globo repudiou por meio de nota lida durante a edição do Jornal Nacional do sábado 21, as declarações do presidente Jair Bolsonaro contra a jornalista Miriam Leitão. Na sexta-feira, durante um café da manhã com jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto, os profissionais pediram que o presidente se manifestasse sobre o cancelamento da participação de Miriam Leitão na 13ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.

A sua participação e do sociólogo Sérgio Abranches foram vetadas como resposta a uma campanha nas redes sociais. O manifesto, que colheu mais de 3,5 mil assinaturas, dizia:  “Por viés ideológico e posicionamento, a população jaraguaense repudia sua presença, querendo, assim que a mesma [Miriam] não se faça presente em evento tão importante em nossa cidade”.

Em nota lida pela apresentadora Renata Vasconcellos, a Globo diz que: “Primeiramente o presidente Jair Bolsonaro disse que sempre foi a favor da liberdade de imprensa e que críticas devem ser aceitas numa democracia. Mas, depois, afirmou que Miriam Leitão foi presa quando estava indo para a Guerrilha do Araguaia para tentar impor uma ditadura no Brasil e repetiu duas vezes que Miriam mentiu sobre ter sido torturada e vítima de abuso em instalações militares durante a ditadura militar que governava o país então”.

A emissora foi taxativa ao dizer: “Essas afirmações do presidente causam profunda indignação e merecem absoluto repúdio. Em defesa da verdade histórica e da honra da jornalista Miriam Leitão, é preciso dizer com todas as letras que não é a jornalista quem mente.”

A nota ainda esclareceu que Miriam nunca participou ou quis participar da luta armada e que, como militante do PCdoB à época, atuou em atividades de propaganda. Também narrou os sofrimentos da jornalista, vítima de tortura e prisão durante a ditadura militar.

“Ela foi presa e torturada, grávida, aos 19 anos, quando estava detida no 38º Batalhão de Infantaria em Vitória. No auge da ditadura de 64, em 1973, Miriam denunciou a tortura perante a 1ª Auditoria da Aeronáutica, no Rio, enfrentando todos os riscos que isso representava na época. Narrou seu sofrimento aos militares e ao juiz auditor e esse relato consta dos autos para quem quiser pesquisar. A jornalista foi julgada e absolvida de todas as acusações formuladas contra ela pela ditadura. A absolvição se deu em todas as instâncias”.

A emissora ainda colocou que também em governos petitas a jornalista sofreu ataques, não como os de agora, que questionam o sofrimento pelo qual passou na ditadura, mas reitera que a profissional teve sua honra e profissionalismo atacados em discursos do ex-presidente Lula em palanques. “E até mesmo a bordo de avião de carreira, quando Miriam Leitão ouviu insultos e ofensas por parte de militantes petistas, que então a chamavam de neoliberal e direitista”.

A TV Globo declarou que isso mostra a independência da jornalista quanto a governos de direita ou esquerda e e a sua solidariedade à profissional, compartilhada pela rádio CBN e o jornal O Globo.

Neste domingo 21, o assunto está entre os mais comentados do Twitter. Mas, ao que parece, os apoiadores de Bolsonaro não se convenceram com a verdade e levaram à lista dos assuntos mais comentados a hashtag #MiriamLeitaoTerroristaSim. Entre as postagens, há declarações que o Jornal Nacional mentiu com as declarações.

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