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‘Tentativa de reescrever a história’, dizem políticos e entidades sobre interferência de Bolsonaro no Enem

‘Tentativa de reescrever a história’, dizem políticos e entidades sobre interferência de Bolsonaro no Enem

UNE, UBES, partidos políticos e outras figuras da oposição repudiaram a tentativa do presidente de alterar o exame

O presidente Bolsonaro e os militares (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Bolsonaro e os militares (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A revelação de que Jair Bolsonaro pediu para trocar o termo ‘Golpe de 1964’ por ‘revolução’ para se referir à ditadura militar no Enem 2021 movimentou o cenário político nesta sexta-feira 19. Entidades, partidos e outros integrantes da oposição classificaram a tentativa como uma ‘reescrita ilegal da história’ e repudiaram a ação do presidente.

“Gravíssimo. A História não será apagada! 64 foi Golpe e a Ditadura foi um dos piores capítulos da nossa História. Em nome de todos os estudantes que tiveram suas vidas ceifadas pelo poder Militar, resistiremos”, se posicionou a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, a UBES.

“Ele quer apagar a história. Mas nós reafirmaremos: foi golpe seguido de Ditadura Militar”, publicou Bruna Brelaz, presidenta União Nacional dos Estudantes, a UNE.

“A quem interessa não debater esses temas? Nossa história está sendo varrida pra debaixo do tapete”, questionou Rozana Barroso, presidenta da UBES.

Orlando Silva, deputado federal pelo PCdoB de SP, também repudiou o pedido do ex-capitão. O parlamentar classificou o episódio como ‘escandaloso’.

“Escândalo. Essa tentativa ilegal de reescrever a história não cola. Nosso povo tem ódio da ditadura e aprendeu a valorizar a democracia. Ditadura nunca mais”, escreveu o deputado nas suas redes sociais.

Posicionamento semelhante foi publicado por Sâmia Bomfim, deputada federal pelo PSOL-SP.

“Para um covarde, frustrado, incompetente, medroso e afetado como ele, só resta tentar reescrever a história. Derrotar os cancros apodrecidos da ditadura que resistem até hoje é tarefa da nossa geração”, publicou a parlamentar.

Guilherme Boulos, pré-candidato ao governo de SP pelo PSOL, também falou em ‘resistência’ ao repudiar o ato.

“O pior presidente que o Brasil já teve quer reescrever a história. Não vai conseguir!”, disse.

O partido também registrou via redes sociais seu posicionamento em concordância com os integrantes da sigla.

“É inaceitável que Bolsonaro tente reescrever a história: Foi golpe, não uma revolução o que aconteceu em 1964 no Brasil. O seu pedido para alterar as questões do Enem sobre o tema é aviltante. Nosso país não esquecerá o terror da ditadura militar. Para que nunca mais se repita”, publicou o perfil do PSOL no Twitter.

O líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), também escreveu sobre o assunto. Nas redes, o parlamentar chamou Bolsonaro de ‘negacionista’ após a revelação do caso.

“Bolsonaro pediu que Enem trocasse ‘Golpe de 1964’ por ‘revolução’ em questões. De fato, essa é a ‘cara do governo’: negacionista. Mas não adianta! Nós, professores, temos um compromisso com a história, e não deixaremos que ela seja apagada. Ditadura nunca mais”, publicou Molon.

José Guimarães, deputado pelo PT-CE e vice-presidente do partido, disse que a denúncia contra o ex-capitão é gravíssima.

“Gravíssima a denúncia de que Bolsonaro teria pedido para tratar o Golpe Militar como ‘revolução’ no Enem. É absurda a interferência do governo na prova e inaceitável que ainda se defenda a ditadura e seus ditadores”, repudiou o petista.

Outros políticos a se posicionarem nas redes foram os deputados Alexandre Padilha (PT-SP), Erika Kokay (PT-DF) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

“Realmente o Enem está ficando com a cara do bolsonarismo: violento, autoritário e mentiroso”, escreveu Padilha.

“É inaceitável que Bolsonaro tenha tentado reescrever a história na prova do Enem. Bem coerente com um presidente que ama a ditadura e tem torturadores como ‘heróis’”, publicou Kokay.

“Realmente esse é o Enem com a cara do governo: com ameaça de censura e interferência. Não permitiremos que o autoritário interfira na prova e reescreva a história”, disse Melchionna.

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Repórter do site de CartaCapital

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