Política

Tebet rejeita ser vice: ‘Estaria diminuindo o espaço das mulheres na política’

A declaração ocorre em meio a negociações de MDB, União e PSDB por uma chapa única de terceira via; Tebet ainda enfrenta resistências da ‘ala lulista’ no próprio partido

Senadora Simone Tebet (MSB-MS). (FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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A senadora Simone Tebet (MDB) afirmou nesta segunda-feira 18 que não pretende ser vice na chapa de nenhum candidato da terceira via à Presidência. Segundo a parlamentar, a única opção cogitada neste momento seria ocupar a cabeça de chapa. A afirmação foi feita em entrevista ao UOL e ocorre em meio a negociações de MDB, União Brasil e PSDB, que indicam uma chapa composta pela senadora e por Eduardo Leite.

“Não sou candidata à vice-presidência. Ao abrir mão da pré-candidatura e aceitar o papel de vice eu estaria diminuindo o espaço das mulheres na política”, declarou. Se eu não pontuar a ponto de ser cabeça de chapa, não vou ajudar sendo vice. Vou estar nesse palanque como cabo eleitoral.

A parlamentar também enfrenta uma dura resistência de alas do MDB, em especial do Nordeste, que preferem apoiar Lula (PT) já no primeiro turno a lançar uma candidatura com baixo desempenho nas pesquisas eleitorais. Eunício Oliveira, ex-senador, chegou a chamar a candidatura emedebista de ‘suicídio político’. Renan Calheiros (MDB), outro defensor da desistência de Tebet, disse que seria ‘insanidade’ insistir em uma chapa com 1% das intenções de voto.

O resultado mencionado por Renan pode ser observado no levantamento da consultoria Quaest e no do instituto Datafolha. No PoderData, a emedebista soma 2%.

Tebet, no entanto, minimiza as críticas e afirma que a sua candidatura seria ‘muito diferente’ da de Henrique Meirelles, que terminou com 1,2% dos votos em 2018 e foi citada como exemplo de fracasso pelos correligionários.

“[Meirelles] era candidato de si próprio. […] Eu fui chamada pelo partido, a maioria absoluta dos diretórios quer candidatura própria. O MDB tem condições de liderar essa frente. Não sou candidata de mim mesma”, prosseguiu Tebet. “Não estou negando as dificuldades dentro do partido. Se fosse fácil, não me chamariam. O maior partido do País não pode ficar inerte nem a reboque de qualquer um que seja.”

Como noticiou CartaCapital, petistas já dão como certo o apoio de parte do MDB a Lula. “Independente da Tebet, o MDB do Norte e Nordeste vai apoiar o Lula”, afirmou na terça-feira 12 um parlamentar do PT em caráter reservado.

À reportagem, o ex-senador Garibaldi Alves (MDB-RN), que será candidato a deputado federal, apontou que o apoio ao petista acontece em decorrência da ainda pouca viabilidade eleitoral de Tebet.

Na segunda-feira 11, Lula se reuniu em Brasília com senadores e ex-parlamentares de diversas legendas. O jantar, realizado na casa de Eunício Oliveira, serviu para o petista reforçar a necessidade de união já no primeiro turno.

Ainda na entrevista, Tebet defendeu o governo de Michel Temer (MDB), a quem chamou de ‘bom conselheiro’, e disse que ele poderá ter papel estratégico na sua eventual campanha ao Planalto. “Pode atuar como alguém que articula, que tem experiência para resolver problemas. Não vamos esquecer da sua boa gestão.”

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