TCU: Militares gastaram indevidamente R$ 4 milhões destinados à Covid

Outros R$ 9,6 milhões ainda precisam de comprovação e podem ter sido usados de forma irregular pelas Forças Armadas

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Política

As Forças Armadas usaram indevidamente pelo menos 4,1 milhões de reais em recursos que seriam destinados para o combate à Covid-19 no Brasil. A conclusão consta no relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) e foi divulgado pelo jornal O Globo nesta quarta-feira 14.

O relatório apontou ainda que outros 9,6 milhões de reais em gastos precisam de comprovação e podem ter sido usados de forma irregular pelas Forças Armadas.

Segundo apontou Augusto Scherman, ministro do TCU, o dinheiro que deveria ir para o combate à pandemia foi usado pelos militares para reformar imóveis e comprar itens como mochilas, porta-celulares, coletes e bandeiras. A aquisição de um micro-ônibus de 780 mil reais também consta no documento.

As reformas de pisos e telhados de instalações militares, por exemplo, consumiram cerca de 1,1 milhão da verba. Segundo o TCU, boa parte das reformas foram feitas em espaços não operacionais.

A compra de equipamentos de manobra e patrulhamento também foi considerada irregular pelo relatório, já que não deveriam ter sido pagas com verba destinada ao enfrentamento da Covid, pois são despesas regulares e possuem orçamento próprio. O valor utilizado entre Exército e Marinha soma pouco mais de 1 milhão.

De acordo com o relatório, a compra de itens como sorvete, refrigerante, chocolate, doce de leite, além de mesas, parafusos e interruptores ainda precisam ser explicadas pelas Forças Armadas. O ministro aponta que será preciso comprovar a relação destes itens com o combate à pandemia para que os 9,6 milhões gastos não sejam considerados indevidos.

O documento também indica cinco riscos nas operações e ainda precisa ser analisado pelo colegiado do Tribunal. São eles: desvio de finalidade; dispensa indevida de licitação; restrição à competitividade; aquisições ineficazes, aquelas que não atendem à necessidade emergencial de saúde; e aquisições em quantitativos incompatíveis com as reais necessidades.

Em resposta ao TCU, as Forças Armadas disseram que vão apurar os casos.

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