…

‘Soldadinho de araque, vomita intolerância’, diz Haddad sobre Bolsonaro

Política

Em clima de virada, milhares de pessoas tomaram o Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, na noite da quarta-feira 24, para apoiar o candidato Fernando Haddad (PT). Nos prédios, duas frases eram as mais projetadas: “Ele não” e “Vira vira”.

Com um discurso otimista em relação a sua candidatura e de crítica ao adversário, Haddad subiu no palanque no encerramento do evento, por volta das 20h30. Ele manteve o tom mais pesado de ataques a Jair Bolsonaro (PSL) adotado em suas falas mais recentes. Motivação maior veio da última pesquisa Ibope, divulgada na terça-feira 23, que mostrou queda de dois pontos percentuais na intenção de votos do ex-militar – e no recuo de 6% na rejeição ao petista.

“Todo dia tem uma manifestação a nosso favor. Não por medo dele, ele é só um soldadinho de araque. É por medo do que ele representa, dos valores que ele representa”, disse. “Não tive oportunidade de enfrentá-lo cara a cara, porque ele foge dos debates, mas só vomita intolerância. Ele está a duas entrevistas da derrota. Fala, Bolsonaro, fala o que você pensa. Você não merece governar esse país. O Brasil é muito melhor do que você”, concluiu.

A noite acabou com os aplausos da multidão e gritos de “Haddad presidente”, enquanto rosas eram jogadas do palanque aos apoiadores do petista.

A concentração de apoiadores começou bem antes, por volta das 17 horas. Entre as bandeiras de movimentos populares, no meio da multidão, o historiador Vinicius Moraes contou sobre as estratégias para virar votos. “Estamos conversando com os indecisos. Quando percebem que Bolsonaro faz apologia à tortura as pessoas se sentem constrangidas. Haddad é um respiro democrático”, defende.

A lembrança sobre os discursos favoráveis à tortura estiverem presentes o tempo todo – entre políticos e manifestantes. Eduardo Suplicy – atual vereador na capital paulista pelo PT e derrotado para o Senado nestas eleições – contou emocionado sobre a inauguração de um busto em homenagem a Rubens Paiva, torturado e morto na ditadura, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em 2014.

Segundo ele, Bolsonaro cuspiu no busto e disse frases como “comunistas vagabundos”. “Como pode um homem desses querer ser presidente do Brasil? Quantos mais como Marielle e Moa do Katendê vão precisar morrer? Nossa resposta virá com Haddad presidente”, discursou no palanque.

Leia também: Como a criminalização do ativismo enfraquece a democracia

Organizado pelo PT, a noite teve um clima mais de comício, ao contrário das últimas manifestações, que tiveram gritos e cantos puxados o tempo todo pelos manifestantes. Estiveram presentes os petistas Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e do candidato Fernando Haddad, além de Suplicy. Guilherme Boulos, do Psol, também discursou. “Não vamos deixar que a covardia vença o medo. E que a intolerância acabe com nossos direitos”.

Ele também lembrou os recentes discursos de Bolsonaro, sobre acabar com todas as formas de ativismo, criminalizar o MST e “varrer do mapa os bandidos vermelhos”. “Bolsonaro ameaçou os movimentos sociais. Falou que MST e MTST serão tratados como terroristas. Bolsonaro, só tem uma forma de acabar com MTST: construindo 6 milhões de casa. E so2 uma de acabar com o MST: fazendo a reforma agrária”, disse.

Se o ato de ontem, no Rio de Janeiro, reuniu artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque e Mano Brown, em São Paulo a classe artística foi representada no palanque pelo rapper Emicida. “Precisamos honrar a luta, o sangue e o suor de quem de quem lutou pela nossa democracia”, afirmou. Também falaram integrantes da CUT, sindicalistas, movimentos estudantil e negro.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem