Renan Calheiros envia nota à seleção brasileira contra realização da Copa América

Senador justificou informe a atletas e comissão técnica: 'impossibilitado de apelar ao bom senso do presidente da República e da CBF'

O senador Renan Calheiros. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Renan Calheiros. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Política,Sociedade

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, encaminhou uma nota à comissão técnica e aos atletas da seleção brasileira contra a Copa América, prevista para começar no dia 13 de junho. Em suas redes sociais, Calheiros diz que tomou a decisão já que fica ‘impossibilitado de apelar ao bom senso do presidente da República e da CBF’.

 

 

O texto chamado ‘Por que a Copa América é um mau exemplo’, que também ganha o endosso da equipe técnica da CPI da Covid, apresenta quatro motivos para a não realização do campeonato no Brasil. “Nosso modesto propósito é informar, alicerçados em argumentos estritamente técnicos, sem qualquer viés político. As razões para a realização da Copa América na iminência de uma terceira onda da pandemia no Brasil não corresponde a opção sanitária mais segura para o povo brasileiro”, grafa um texto do trecho.

Um dos primeiros argumentos utilizados por Renan é a da baixa cobertura vacinal realizada no País até o momento. “O número de brasileiros vacinados representava, na totalização do dia 04/06/2021, apenas 10,77% do total da população. Isso o coloca o país na posição de número 64 no ranking mundial de vacinação adotando-se o critério percentual da população imunizada/100 mil habitantes”, destaca, ao afirmar que o ‘Brasil não oferece segurança sanitária para a realização de um torneio internacional dessa magnitude’.

Há ainda um alerta para o alto número de vitimas fatais pela pandemia – mais de 470 mil mortos – e sobre a chegada de uma possível terceira onda de infecções no País. “Morrem em média perto 2 mil brasileiros todos os dias vitimados pela doença e o colapso do atendimento hospitalar se avizinha. Isso significa que a cada partida de futebol da Copa América, de 90 minutos, mais de 120 brasileiros estariam morrendo ao mesmo tempo. Futebol é uma das maiores expressões da alegria. Há alegria em uma situação como essa?”, questiona outra passagem.

O senador ainda fala sobre uma divisão existente no País, nesse momento, e acusa alguns setores de forçar a realização da Copa América como um ato político. “Como se a única neutralidade fosse obedecer sem questionar. Por isso, trazemos a lume esses argumentos nitidamente técnicos. Para muito além da política, há uma discussão entre ciência em oposição ao negacionismo”, acrescenta.

 

 

 

Por fim, há um pedido para que os atletas e comissão pensem sobre os esforços de preparação de todo o elenco, levando em consideração a rotina de treinamentos, exercícios e alojamento. “Essas rotinas e protocolos são “políticos”, as que todos vocês praticam todos os dias para manter a altíssima performance que é exigida de um atleta? Claro que não. Assim como não é político seguir protocolos internacionais num país que enfrenta um grave momento pandemia”.

“Não realizar e não participar da Copa América no Brasil não é um ato político, é um gesto de respeito à vida de milhões de famílias enlutadas pela morte e por cicatrizes incuráveis. É adotar a mesma disciplina técnica e científica que todos da Comissão Técnica e todos os Jogadores obedecem, desde sempre, todos os dias”, finaliza o texto.

 

Bolsonaro mantem apoio à Copa América

O presidente Jair Bolsonaro participou, na noite do sábado 5, de uma reunião do Conselho da Conmebol para discutir a realização da Copa América no Brasil, ocasião em que manteve o apoio ao campeonato. No encontro, realizado por teleconferência, o presidente afirmou que o governo do Brasil está pronto para colaborar na organização do torneio. Após a fala, Bolsonaro se retirou da reunião.

 

 

 

Rogério Caboclo, presidente da CBF, participou da reunião como representante brasileiro. Sobre o cartola recaem denúncias de assédio moral e sexual relatadas por uma funcionária da Confederação.

 

Movimento #ForaTite ganha força nas redes sociais

O técnico da seleção brasileira Tite vem sofrendo críticas nas redes sociais após dar a entender críticas à realização do campeonato durante coletiva de imprensa na Granja Comary na última quinta. O técnico prometeu esclarecer a posição do time após os jogos das eliminatórias da Copa – na terça-feira 8, o Brasil enfrenta o Paraguai. Ainda não está descartada a possibilidade da seleção brasileira sair da competição.

Na sexta-feira 4, após o jogo contra o Equador, onde a seleção saiu vitoriosa por 2 a 0, o capitão da seleção Casemiro deixou claro o descontentamento do elenco com o momento, embora não tenha falado abertamente sobre o assunto. ‘Todo mundo já sabe qual o nosso posicionamento, mais claro é impossível’, disse.

 

Alguns internautas apontam o nome de Renato Gaúcho como possível substituto do atual técnico. Há especulações de que o presidente Jair Bolsonaro esteja se movimentando para efetuar a troca do técnico da seleção.

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