CPI já reúne elementos para caracterizar corrupção ativa, diz Randolfe

'Nós não titubearemos em pedir a aplicação da lei', afirmou o senador em entrevista à 'GloboNews'

O senador Randolfe Rodrigues. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Randolfe Rodrigues. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Política

A cúpula da CPI da Covid fez, neste sábado 17, uma reunião virtual para discutir as próximas fases dos trabalhos da Comissão.

Devido ao recesso parlamentar, as atividades só devem ser retomadas daqui há duas semanas, mas os senadores devem analisar os documentos que já foram entregues a CPI.

Em entrevista à Globonews, o senador Randolfe Rodrigues falou sobre os próximos passos da Comissão. “A principal deliberação que tomamos é que na última semana do mês de julho, entre os dias 26 e 29 de julho, nós deveremos fazer um encontro, com juristas, para discutirmos, à luz das tipificações penais que nós já temos a luz da Comissão Parlamentar de Inquérito, qual é a melhor enquadramento para constar no relatório final”. A reunião deve acontecer em Brasília ou em São Paulo e será coordenada pela senadora Simone Tebet e por Alexandre Vieira.

Sobre a CPI o senador afirmou ainda, que pela diversidade de temas que estão surgindo para serem apurados, serão criados grupos de investigação para cada um dos temas tratados. Para auxiliar nos trabalhos de relatoria e de investigação, será requisitado o apoio de delegados da Polícia Federal.

“A sensação que nós temos nessa CPI é de como estivéssemos diante de uma Hidra, personagem da mitologia grega, que a cada cabeça que nós cortamos, regenerasse uma nova, com mais desafios para nós”.

Randolfe ainda se posicionou sobre o envolvimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na compra de imunizantes através de intermediários, por valor superior ao adquirido pelo governo federal. Para ele houve falso testemunho à CPI. “Está claro a caracterização penal do ministro. Basta nós contrastarmos o depoimento do ministro à CPI e o próprio vídeo que revela que ele fazia ao contrário do que falava na CPI.”

“Mais grave que isso, ele se negou a sentar com a Pfizer durante sete meses e isso impediu o começo da vacinação dos brasileiros em dezembro. Isso condenou milhares de brasileiros à morte. No momento mais grave da pandemia no País, com mais de três mil mortes por dia, o ministro da Saúde estava recebendo intermediário de vacina que não tinha vacina”, afirmou o senador.

O senador ainda afirmou que será investigado o papel das intermediárias dos imunizantes, bem como será analisada a responsabilização penal daqueles que não prestaram informações requeridas pela CPI. “Nós não titubearemos em pedir a aplicação da lei”.

O senador ainda avalia as declarações que tentam minimizar as irregularidades encontradas, afirmando que as propostas não foram concretizadas. “Não existe meia corrupção ou corrupção tentada. O que temos visto é a caracterização de dois tipos penais, a corrupção passiva e o tráfico de influências”, disse Randolfo. Para ele, não é aceitável que empresas inidôneas, como a empresa que se reuniu com Eduardo Pazuello, tenha chegado até o Ministro de Estado.

Randolfe ainda fala da existência de indícios sobre um terceiro crime: corrupção ativa. “Nós temos elementos para confirmar no caso da Precisa Covaxin, a partir das quebras de sigilo que nós temos. E temos como confirmar no caso da VTCLog, que é um outra vertente que a investigação está encontrando”.

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Repórter do site de CartaCapital

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