Racha no PSL tem disputa entre métodos diferentes da ‘velha política’

Bolsonaro quer controle total das verbas públicas do partido e abre-se a políticos tradicionais

Eduardo, Jair e Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter)

Eduardo, Jair e Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter)

Política

Jair Bolsonaro e 23 parlamentares do PSL, incluídos seus filhos Eduardo (deputado) e Flavio (senador), pediram à Procuradoria Geral da República (PGR) que entre na Justiça com uma ação para bloquear o uso da verba pública a que o partido tem direito e para tirar Luciano Bivar do comando da sigla. É outro capítulo da briga dos Bolsonaro com o partido pelo qual se elegeram.

O PSL rachou graças a uma rebelião de bolsonaristas contra a preferência pela “velha política” existentes em setores do PSL, a começar por Bivar, suspeito de laranjismo eleitoral igual o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio. O pedido bolsonarista à PGR evidencia, porém, algo que já era latente. A briga é entre métodos diferentes de “velha política”, não de “nova” contra “velha”.

Bolsonaro quer o controle total das verbas do fundo partidário a que o PSL teria direito este ano, cerca de 110 milhões de reais. Quer o mesmo em relação à cota do fundo eleitoral de 2020, ano de disputa para os cargos de prefeito e vereador. É o que o afirma, nos bastidores, um deputado da ala que se colocou ao lado de Bivar na luta interna.

Recorde-se: o ex-capitão concorreu a presidente em 2018 tendo propagandeado, entre outras coisas, que sua campanha era pobre e movida no máximo com dinheiro de gente bem intencionada. Agora, no entanto, ele e seus filhos exibem olhos de cobiça diante da milionária verba pública de campanhas. “Velha política” na veia.

No pedido à Procuradoria, o clã Bolsonaro aponta irregularidades na gestão de dinheiro público pelo PSL e pede também que o órgão entre com uma ação judicial contra os dirigentes da legenda.

A ala colocada na posição de “velha política” no PSL tem motivos para dizer que quem caiu na “velha política” foi o bolsonarismo. O líder do partido no Senado, Major Olímpio (SP), defende abrir uma CPI da Lava Toga, para investigar o Judiciário, mas Bolsonaro foge da ideia. Seu filho Flávio tentou sabotar a tentativa de criar a comissão, em conversas de bastidor.

Outro sinal de rendição de Bolsonaro à “velha política” foi a nomeação do senador Eduardo Gomes (MDB-TO) para líder do governo no Congresso, no lugar da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), sacada do cargo em meio ao racha no PSL. Os bolsonaristas de raiz reclamavam da proximidade que Joice tentava manter do chamado “centrão”, sinônimo de “velha política”.

“Eu não consigo entender quem está fazendo nova política e quem está fazendo a velha política. Acho que a gente busca a boa política”, disse Gomes em uma entrevista recente ao UOL.

Um dia após a oficialização do senador no cargo, Bolsonaro tomou café da manhã com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, expoente da “velha política”. Em 8 de outubro, havia recebido o presidente eleito do MDB, o deputado paulista Baleia Rossi. Da conversa participou ainda o general Luiz Eduardo Ramos, secretário de Governo.

Ramos é apontado no Congresso como um dos responsáveis por deixar o presidente mais flexível no trato com partidos e parlamentares.

No Senado, um líder de partido de centro-direita comenta que corre na Casa que tem saído dinheiro de cinco ministérios para atender vontades de parlamentares dispostos a votar a favor de projetos do governo. E não seria verba de emenda parlamentar, seria outra coisa. “Parece que o governo  sde entregou ao sistema, à velha política. Quero conversar com o líder do governo sobre isso”, diz.

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Repórter correspondente da revista CartaCapital em Brasília

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