“Questões ideológicas não vão acontecer no Enem”, diz Weintraub

A declaração do ministro sinaliza que a prova está sob mira da guerra cultural bolsonarista

“Questões ideológicas não vão acontecer no Enem”, diz Weintraub

Política

O ministro da educação, Abraham Weintraub, anunciou, nesta quinta-feira 25, que no Enem deste ano “questão ideológicas não vão acontecer”. Ao participar de uma live no Facebook, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o integrante do governo falou que o exame deve focar em analisar a escrita,  a capacidade de matemática, ciências, mas não sobre assuntos ideológicos. “Estudem sem direcionamento ideológico”.

A declaração mostra que o atual ministro – e portanto o MEC – seguem alinhados à guerra cultural bolsonarista, que pauta falsas teses sobre doutrinação e ideologia de gênero. O Enem, certamente, será um terreno fértil para a caça aos “doutrinadores”.

 

No ano passado, antes mesmo de assumir o cargo de presidente, Bolsonaro criticou uma questão da prova  de 2018 que tratava do “dialeto secreto” utilizado por gays e travestis. Em entrevista à imprensa na época, chegou a dizer que uma questão como essa, que entra na linguagem secreta de travestis, não media conhecimento nenhum, só obrigaria a garotada a se interessar mais pelo assunto no futuro. Também declarou que o Enem deveria cobrar conhecimentos úteis.

As polêmicas acerca da prova continuaram. Em março, ainda sob a gestão do colombiano Vélez Rodríguez, que foi demitido do cargo, a pasta anunciou a criação de uma comissão com três pessoas escolhidas para “avaliar” as questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A comissão atuaria para verificar se as perguntas do exame são pertinentes com a realidade social, de modo a assegurar um perfil consensual do exame, segundo justificativa do governo. A medida levou a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal (MPF), a pedir esclarecimentos ao INEP do porquê de sua criação. Até o momento, o assunto não teve atualização.

Enem está garantido, diz ministro

Weintraub garantiu que o exame vai acontecer este ano. Isso porque a crise no ministério fez com que a prova ficasse sem gráfica e sem um responsável dentro do Inep. “Fiquem tranquilos e continuem estudando, o Enem vai acontecer”, disse.

Um especialista da área explica que, mesmo o Inep encontrando uma nova gráfica que possua a capacidade de imprimir seis milhões de provas e tenha as medidas de segurança exigidas, vai demorar um tempo para o contrato passar pelas questões burocráticas. “É muito difícil isso acontecer até maio”, diz.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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