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Quem são os ‘traíras’ citados por Bolsonaro em reunião do golpe

Ex-presidente usou a reunião em que se discutiu um possível golpe para atacar ex-integrantes do seu governo

Foto: Reprodução
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Na reunião em que discutiu um possível golpe de Estado com seus principais ministros, realizada em 5 de junho de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou ex-integrantes do seu governo, referindo-se a eles como “traíras”.

Bolsonaro não citou nominalmente quem seriam essas pessoas, mas diz que todos viraram “inimigos” e buscaram “sacaneá-los”. A gravação do encontro foi disponibilizado integralmente nesta sexta-feira 9 pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

“Olha os traíras que já passaram pelo nosso governo. Inclusive militares. Tem um militar aí, general, que tinha interesse em compra de armamento em Israel através do respectivo filho, daí vira inimigo mortal da gente”, disse o então presidente.

Mais adiante, ele completou: “Olha o outro que foi, aqui, porta-voz. Ficou um ano sem fazer porra nenhuma aqui, porque eu acabei com a figura do porta-voz, mas quando ele foi embora, não interessa o motivo, virou grande escritor de jornal para sacanear a gente”.

A primeira referência é ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que ocupou o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo. Ele foi um dos primeiros militares a deixar o governo Bolsonaro após sofrer ataques públicos do ex-guru bolsonarista Olavo de Carvalho e do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho 02 do ex-capitão.

O filho que o então presidente se refere é Caio Cesar dos Santos Cruz, filho do general. Ele é representante de uma empresa israelense e foi alvo de operação da Polícia Federal sobre a “Abin Paralela“. A investigação mira um suposto esquema de espionagem de adversários de Bolsonaro sem autorização judicial.

Em seguida, Bolsonaro fala do general Otávio Rêgo Barros, porta-voz da Presidência da República no primeiro ano da gestão. O bom relacionamento do porta-voz com a imprensa, contudo, irritou Carlos Bolsonaro e levou à demissão do militar.

Nas eleições presidenciais de 2022, o general disse que não iria votar no ex-chefe e criticou a política sanitária de enfrentamento à pandemia de covid-19 pela gestão Bolsonaro. Em outra ocasião, Rêgo Barros afirmou que o então presidente tentava transformar as Forças Armadas na sua “estrutura de apoio político”.

Outro momento do vídeo mostra Bolsonaro falando sobre os irmãos Abraham e Arthur Weintraub, respectivamente ex-ministro da Educação e ex-assessor da Presidência.

“Olha o outro traíra, que eu mandei para os Estados Unidos. Dei emprego pra ele de 22 mil dólares por mês, né, Paulo Guedes? O outro irmão dele, 10 mil dólares por mês. E o cara vira inimigo. E alguns preocupados dele ser preso. Não vai ser preso. Ele está pronto pra fazer uma delação premiada no Supremo. O que ele vai falar? O que der na cabeça dele”, afirma o então presidente, sem citá-los.

Abraham foi nomeado para o Banco Mundial. Enquanto estava lá, contudo, o ex-ministro rompeu com Bolsonaro, e retornou ao Brasil para disputar as eleições em 2022, nas quais saiu derrotado. Seu irmão assumiu um cargo na Organização dos Estados Americanos à época.

O vídeo da reunião estava em um computador apreendido na residência do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid. A gravação, pontuou a PF, contém indícios do “arranjo de dinâmica golpista, no âmbito da alta cúpula do governo”.

Parte da transcrição dessa reunião foi utilizada na decisão de Moraes, a embasar a Operação Tempus Veritatis (Hora da Verdade, em latim), deflagrada na quinta-feira 8, contra uma organização criminosa que teria agido para tentar um golpe de Estado.

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