Uma interessante conexão entre os irmãos Koch, o Charles Koch Institute, os “Estudantes pela Liberdade” e o “Movimento Brasil Livre”, um dos principais promotores dos protestos contra o governo brasileiro foi apontada por jornalistas brasileiros, inclusive na CartaCapital e possível que se estenda a outras entidades, como sugere, por exemplo, o currículo de Fabio Ostermann, cofundador dos “Estudantes pela Liberdade”, diretor do libertarian Instituto Ordem Livre, “mentor intelectual do Movimento Brasil Livre” segundo a revista Veja e com cargos em organizações como o Instituto Liberal e o Instituto Liberdade. Para compreender exatamente o que isso significa, é preciso entender a importância dessa família.
Os irmãos Charles e David Koch são sócios e possuem, segundo a Forbes, 42,9 bilhões de dólares cada um e estão em sexto e sétimo lugar em sua última lista de bilionários. Há ainda Bill Koch, o caçula, brigado com os irmãos e com um império independente de “apenas” 2,8 bilhões (o número 603 da Forbes), mas também financiador ativo de políticos conservadores e o primogênito Frederick Koch, mais interessado em coleções de arte, teatro e cinema do que nos negócios da família. São todos filhos de Fred Chase Koch (1900-1967), empresário do petróleo, admirador de Benito Mussolini e um dos fundadores em 1958 da ultradireitista John Birch Society, cuja sede foi estabelecida ao lado do túmulo do paranoico senador anticomunista Joseph McCarthy e foi notória pelo combate à lei dos direitos civis promovida pelo presidente Lyndon Johnson nos anos 1960.
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SEJA SÓCIOSuas fortunas, somadas, superam folgadamente as de Bill Gates, Carlos Slim ou Warren Buffet, os primeiros colocados. Seu grupo Koch Industries é a segunda maior empresa de capital fechado dos EUA, depois de Cargill. Possui refinarias em vários estados, seis mil quilômetros de oleodutos, madeireiras, indústrias de papel e celulose e a Invista, ex-divisão de fibras têxteis da DuPont dona de marcas como Lycra e Cordura.
É cada vez mais notório o apoio de irmãos Koch a campanhas e institutos conservadores e libertarians por meio de várias organizações por eles financiadas, incluindo Americans for Prosperity e o Cato Institute. Em fevereiro, documentos obtidos pelo Greenpeace através do Freedom of Information Act revelaram que a Charles G. Koch Charitable Foundation, organização para financiar programas de ensino e pesquisa, fez doações para Wei-Hock Soon do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, um dos raros cientistas a insistir em que a mudança climática é um fenômeno natural, não causada por atividades humanas. Outro tema caro aos Koch é o do armamentismo. Doam milhões à National Rifle Association (NRA) e outros lobbies que combatem restrições à posse e porte de armas nos EUA, que retribuem fazendo campanha a políticos conservadores do agrado dos irmãos.
Os Koch organizam reuniões periódicas com líderes republicanos e comunicadores ligados ao Tea Party, como Glenn Beck e o senador republicano Mitch McConnell. Uma gravação em áudio de uma reunião confidencial deste último com os irmãos, ocorrida em junho de 2014, o senador admitiu que os republicanos precisam dos Koch e eles constituem o verdadeiro poder no partido: “Não sei onde estaríamos sem vocês” e pediu mais recursos para a campanha. “A Suprema Corte permitiu a todos vocês (bilionários) participarem do processo em uma variedade de maneiras diferentes. Você pode doar ao candidato de sua escolha”. Para persuadi-los, explicou como os republicanos frustrariam a agenda de Barack Obama caso conquistassem a maioria do Senado. O partido cumpriu rigorosamente a promessa. Segundo o Washington Post, os Koch agora lideram um esforço de arrecadação entre bilionários que pretende arrecadar um bilhão de dólares para a campanha presidencial republicana em 2016.
Seria tolo supor que manifestantes ou eleitores são pagos em massa, mas faz diferença permitir a um punhado de jovens politicamente ambiciosos dedicar-se em tempo integral a uma agenda, assim como o patrocínio de veículos e jornalistas simpáticos às suas causas.
Embora o petróleo esteja na raiz das fortunas dos Koch e motive sua campanha contra ambientalistas e climatologistas que alertam sobre o aquecimento global, não é obrigatório supor que seu principal interesse no Brasil seja a privatização da Petrobras. Seus negócios são bem mais amplos e o “Estado mínimo”, com a eliminação de quaisquer políticas sociais e restrições à exploração capitalista, é para eles e seus aliados um fim em si. O importante é estar consciente de suas conexões e do que implicam. Não é apenas por um impeachment.
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