Política

Quem mais compartilha fake news sobre vacinas no Brasil, segundo estudo

Levantamento do Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública da Universidade de Brasília ouviu 1.845 pessoas

Profissional de saúde manuseia vacina da Pfizer. Foto: Thomas Lohnes/AFP
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Pessoas entre 35 anos e 44 anos, educação inferior ao ensino médio, das classes D ou E, independente de sexo e que frequentam igrejas evangélicas são as que mais compartilham notícias falsas sobre vacinas no Brasil. O perfil foi delineado pelo estudo A Comunicação no Enfrentamento da Pandemia de Covid-19, realizado em agosto no Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública da Universidade de Brasília, que ouviu 1.845 pessoas com acesso à internet.

“Não quer dizer que pessoas que têm essas características são pessoas que automaticamente compartilham notícias falsas, mas o contrário, que pessoas que compartilham esses tipos de desinformação sobre vacinas costumam ter essas características”, explica Wladimir Gramacho, pesquisador à frente do estudo e coordenador do CPS/UnB.

Segundo ele, em comparação com outros levantamentos sobre desinformação na internet, é possível observar que o comportamento de pessoas que divulgam notícias falsas varia de acordo com o tema.

Gramacho afirma que quando está em jogo o tema político, há uma tendência de pessoas idosas compartilharem mais facilmente fake news, mas o padrão muda quando o assunto é vacina.

“A principal explicação para isso talvez seja o fato de pessoas mais velhas terem sido socializadas em uma época em que o País viveu grandes conquistas no seu Programa Nacional de Imunizações”, disse.

Metodologia

Para seleção da amostra nacional, os pesquisadores utilizaram um cadastro online com mais de 500 mil inscritos e aplicaram cotas de gênero, idade, região e classe social para representar adequadamente a população brasileira. Os participantes selecionados responderam a um questionário online no qual foram convidados a compartilhar 12 notícias sobre vacinas, identificadas apenas pelo título, sendo metade com conteúdo verdadeiro e outras seis falsas.

De todos os pesquisados, 11,3% informaram que compartilhariam ao menos uma das notícias falsas e 3,7% informaram que compartilhariam cinco das notícias inverídicas.

Hábitos de mídia

O estudo também analisou os hábitos de uso de mídias das pessoas que afirmaram que compartilhariam as notícias falsas.

Os pesquisadores puderam observar que as pessoas que mais espalhariam desinformação são as que têm nas mídias digitais a principal fonte de informação.

“São usuários mais frequentes de plataformas como Telegram e Tik Tok que têm maior tendência de compartilhar notícias falsas sobre as vacinas”, disse Wladimir Gramacho.

Quando os pesquisadores analisaram o comportamento de uso da televisão, principal meio de informação no País, eles verificaram que, na comparação entre os que declararam fazer parte da audiência do Jornal Nacional e os que declararam fazer parte da audiência do Jornal da Record, os primeiros tiveram a metade das chances de divulgar notícias falsas.

Para os analistas, uma possível justificativa para esse comportamento seria um processo de exposição seletiva dos brasileiros entre esses dois telejornais. “A audiência mais frequente do Jornal da Record reúne pessoas simpatizantes do governo Jair Bolsonaro (PL), que foi um governo que difundiu muitas informações incorretas sobre as vacinas – ele próprio fez campanha contra a vacinação”, destaca o pesquisador.

(Com informações da Agência Brasil)

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