Política

‘Qualquer democrata fica estarrecido’, diz Cappelli sobre plano de bolsonaristas para enforcar Moraes

Em entrevista a CartaCapital, ministro da Justiça e Segurança Pública em exercício confirma que Operação Lesa Pátria não tem data para terminar

Foto: Reprodução
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Ricardo Cappelli, ministro da Justiça e Segurança Pública em exercício, indicou que “não há nenhuma indicação de qualquer manifestação massiva” para o próximo dia 8 de Janeiro, data que marca um ano dos ataques golpistas às sedes dos Três Poderes, em Brasília (DF).

Em entrevista ao canal do Youtube de CartaCapital, nesta sexta-feira 5, Cappelli, que atuou como interventor no Distrito Federal logo após os ataques que marcaram o início do terceiro mandato do presidente Lula (PT), “não há mais ambiente no Brasil para acontecer o que aconteceu”. 

Segundo o ministro em exercício, está sendo feito um monitoramento permanente e diário sobre eventuais riscos de atos semelhantes aos do ano passado, na semana que vem. 

Para ele, há “barulhos aqui e ali” e “bravata”, especialmente nas redes sociais, sobre possíveis atos no próximo dia 8, mas nada que represente um risco real de atos golpistas. Segundo Cappelli, a resposta institucional serve de desincentivo aos atos golpistas. 

O ministro em exercício confirmou, aliás, que mais de dois mil agentes de segurança vão atuar no dia 8, quando, no Salão Negro da Câmara dos Deputados, será feito um ato de “celebração democrática”.

Alexandre de Moraes

Cappelli aproveitou a entrevista a CartaCapital para comentar a revelação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de que, em janeiro do ano passado, havia pelo menos três planos contra si. Um deles envolvia, segundo Moraes, um enforcamento em praça pública.

O atual ministro afirmou que não tem acesso às informações dos inquéritos da operação Lesa Pátria – sobre a qual, aliás, confirmou que não tem data para acabar -, mas que, “quando a gente toma conhecimento dessas informações, qualquer democrata fica estarrecido”. 

“É inaceitável uma atitude como essa, uma ameaça como essa, a qualquer cidadão brasileiro, quanto mais a um ministro da Suprema Corte”, disse Cappelli. Para ele, os fatos mostram que “o ódio não era apenas aos adversários políticos: era um ódio aos Poderes, às instituições; um ódio à República, à Constituição”. 

Cappelli, inclusive, foi direto ao expressar o que pensa sobre o clima político e social que levou aos ataques do 8 de Janeiro. Para ele, os ataques foram incentivados pelo perfil de gestão nos quatro anos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Foram quatro anos do ex-presidente [Jair Bolsonaro] atacando as instituições. Não há precedente, na história do Brasil, de acampamentos montados em frente ao Exército. Jamais aqueles acampamentos teriam sido montados sem que houvesse a conivência e a permissão do chefe das Forças Armadas de então, Jair Bolsonaro“, pontuou Cappelli.

Uso de câmeras nos uniformes policiais

Nesta semana, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu intensificar os seus questionamentos à eficácia do uso de câmeras em uniformes policiais no estado. 

Na contramão das intenções do governo paulista, o governo federal vai lançar, em fevereiro, um conjunto de diretrizes nacionais para utilização de câmeras corporais. 

Para Cappelli, as medidas resultaram de reuniões feitas, ao longo do ano passado, com secretários de segurança dos estados. Inclusive, São Paulo.

O ministro em exercício se referiu indiretamente às declarações de Freitas. “É claro que, vez por outra – e é próprio da política -, surge a necessidade de um ator político ou outro dar uma demarcada aqui, dar uma demarcada ali”, disse.

Entretanto, Cappelli disse ter confiança de que o processo de adoção das câmeras nos uniformes vai avançar. “É um processo inevitável. É um processo de modernização, sem volta, da atividade policial”, pontuou.

“A câmera é um equipamento de modernização, de transparência, que protege o bom policial, protege o bom policial”, comentou Cappelli.

Veja a íntegra da entrevista:

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