Política

Violência urbana

Polícia investiga ligação entre casos de moradores de rua incendiados em São Paulo

por Gabriel Bonis publicado 11/05/2011 19h20, última modificação 11/05/2011 21h41
Delegada responsável pelas ocorrências, Alexandra Comar de Agostini, descarta ação de grupos de extermínio e ligação de comerciantes com as mortes no centro

A polícia trabalha com diversas linhas de investigação para solucionar as mortes de dois moradores de rua incendiados no bairro do Brás, centro de São Paulo, segundo a delegada responsável pelos casos, Alexandra Comar de Agostini. Uma das possibilidades seguidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) é a conexão das ocorrências. “As duas vítimas eram carroceiros, viviam na mesma região e foram mortas com o mesmo modus operandi”, diz. Além disso, novas imagens de câmeras de segurança dos locais dos crimes, o primeiro ocorrido na madrugada de quarta-feira 4 e o outro no sábado 7, foram colhidas.

Os investigadores levantaram na região onde a segunda vítima vivia, que o possível primeiro nome dele seria Jonathan, mas a identificação completa ainda não foi feita e ninguém reclamou os corpos no Instituto Médico Legal (IML). “Agora vamos ver se ele [Jonathan] é cadastrado em alguma unidade de assistência da região”, adianta a delegada.

Características do crime
Agostini afirma também que há outros casos de violência contra moradores de rua, inclusive de morte, sendo investigados. “O diferencial destes casos é a perversão do ato utilizando o fogo. Mas a violência contra essa população de rua, de forma geral, não é incomum. Muitas vezes se envolvem em brigas entre eles mesmos e o uso de drogas e bebidas leva a casos de maior gravidade”, explica.

Ainda não é possível afirmar se as vítimas foram mortas antes de serem incendiadas, juntamente com suas carroças – uma delas foi amarrada com arames ao seu carro de coleta de materiais recicláveis.

A possibilidade do envolvimento de grupos de extermínio e da ligação de comerciantes locais com os casos, apontada pelo coordenador do Movimento Nacional dos Moradores de Rua, Anderson Lopes Miranda, em entrevista à Rede Brasil Atual, foi descartada até o momento pela polícia. “Todas as linhas estão sendo investigadas e ainda não sabemos o que se passou. Mas não tenho investigações em andamento de casos envolvendo grupos com objetivo de extermínio”, diz Agostini, que não acha plausível o envolvimento de comerciantes. “No local existem diversos galpões de depósitos de materiais recicláveis, que compram esses produtos dos catadores”, afirma.

Investigação
Os promotores de Justiça Maria Gabriela Ahualli Steimberg e Roberto Bacal foram indicados pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar os desdobramentos do caso.

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