Política

PF prende coronel alvo de operação sobre trama golpista em 2022

Segundo a investigação, Correa Neto fazia parte do chamado ‘Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas’

O coronel Bernardo Romão Correa Neto. Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O coronel Bernardo Romão Correa Neto foi preso neste domingo 11, no Aeroporto de Brasília, ao retornar de viagem aos Estados Unidos. Ele foi recebido no local por agentes da Polícia Federal e, na sequência, entregue à Polícia do Exército.

Correa Neto foi um dos alvos da operação deflagrada nesta semana pela PF para apurar a tentativa de golpe de Estado em 2022, após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) para Lula (PT) na eleição presidencial. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes expediu um mandado de prisão preventiva contra o militar.

Segundo a investigação da PF, o coronel fazia parte do chamado “Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas”. A investigação aponta que os integrantes desse grupo promoviam reuniões de planejamento e execução de medidas para manter as manifestações em frente aos quartéis do Exército, incluindo a mobilização, a logística e o financiamento de militares das forças especiais em Brasília.

Correa, à época assistente do comandante militar do Sul, teve participação ativa na organização de uma reunião em 28 de novembro de 2022, com a presença de oficiais das forças especiais – os chamados kids pretos – assistentes de generais supostamente alinhados à conspiração golpista.

Diálogos interceptados pela PF no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, apontam que Correa Neto intermediou o convite para a reunião e selecionou apenas os militares formados no curso de forças especiais. Isso, na avaliação da polícia, “demonstra planejamento minucioso para utilizar, contra o próprio Estado brasileiro, as técnicas militares para consumação do Golpe de Estado”.

No mesmo da reunião, o coronel enviou a Cid uma minuta intitulada Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro, um documento provavelmente discutido no encontro e que, de acordo com a PF, foi utilizado como instrumento de pressão contra o então comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes.

Logo depois da reunião, o blogueiro de extrema-direita Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho divulgou os nomes de comandantes regionais do Exército que ainda estariam indecisos sobre aderir ao plano golpista. Os diálogos obtidos pela PF no aparelho de Cid revelaram que Correa Neto sabia, horas antes, os nomes a serem expostos pelo blogueiro, o que demonstraria uma ação coordenada para pressionar militares a se envolverem na conspiração.

Diz um trecho do relatório da PF:

“Após o envio da carta, MAURO CID pede a CORREA NETO que mande as observações, ao que o mesmo responde: ‘Porra irmão. Apaguei essa parada’; ‘Não combinamos de apagar?’. Os diálogos sugerem, portanto, que os investigados tinham consciência da ilicitude das condutas praticadas e buscavam suprimir provas que pudessem incriminá-los, em ação típica de organização criminosa”.

Ao todo, Alexandre de Moraes expediu quatro mandados de prisão preventiva para a PF cumprir na última quinta-feira 8. Os outros três alvos já foram presos preventivamente:

  • Filipe Martins, ex-assessor especial de Jair Bolsonaro;
  • Marcelo Câmara, coronel da reserva do Exército e assessor do ex-presidente; e
  • Rafael Martins, tenente-coronel do Exército.

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