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Pela primeira vez desde a ditadura, Brasil veta países em posse

Política

O pedido do presidente eleito Jair Bolsonaro para que sua equipe enviasse ao Itamaraty um novo comunicado aos governos de Cuba e da Venezuela desconvidando seus representantes a comparecer na posse presidencial, em 1º de janeiro, deve afetar os acordos e compromissos que os países possuem hoje.

Segunda a especialista em direito internacional e empresarial, Leatrice Bez, houve um descuido do futuro governo com relações que vão além do espectro público.

“É um gesto coerente com tudo que o presidente eleito já falou, mas totalmente desnecessário. Existem diversas empresas que mantém relações comerciais com esses países, e certamente isso rebaterá nelas, o que por consequência rebate na nossa economia”, afirma. De janeiro a novembro de 2018, o Brasil teve um superávit de 664 milhões de dólares com os dois países.

A especialista disse ainda que, à revelia das intenções do futuro presidente, as relações diplomáticas existem e que o “desconvite” soou como uma maneira de estremecer ainda mais as relações, comprometidas desde as eleições.

Convida e desconvida

Os dois países receberam os convites para a cerimônia em novembro, momento em que sua equipe havia sido consultada sobre o assunto. Por meio de um curto texto, o Ministério das Relações Exterior pediu para que seus chanceleres desconsiderassem o comunicado anterior.

Esta é a primeira vez, desde o fim da ditadura brasileira, que um país fica de fora do convite diplomático para participar da posse presidencial no Brasil. O pedido foi necessário após o futuro ministro Ernesto Araújo negar que o Itamaraty havia convidado Nicolás Maduro para o evento por meio de suas redes sociais.

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A declaração foi então rebatida pelo chanceler venezuelano, Jorge Arreaza. O ministro divulgou imagens de um documento enviado pelo Ministério das Relações Exteriores, em 29 de novembro, que avisa que a embaixada venezuelana em Brasília receberia mais detalhes da cerimônia.

O chanceler venezuelano publicou ainda o documento que o governo da Venezuela enviou em resposta ao convite, em 12 de dezembro, no qual afirma que “não assistiria jamais a posse de um presidente que é a expressão da intolerância, do fascismo e da entrega a interesses contrários à integração latino-americana e caribenha.”

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Neste domingo, o presidente eleito reafirmou em entrevista que nem Maduro nem Miguel Díaz-Canel serão convidados, sob a justificativa de serem ditadores. “Ele, Maduro, com certeza não vai receber um convite para a posse. Nem ele, nem o ditador que substituiu Fidel Castro…. Fidel Castro, não, Raúl Castro”, disse.

Ao ser questionado sobre as razões, o presidente respondeu: “Porque é ditadura, não podemos admitir ditadura. O povo lá não tem liberdade.”

Bolsonaro disse ainda que os cubanos que integravam o programa Mais Médicos “foram embora (…) porque sabiam que eu ia descobrir que grande parte deles, ou parte deles, era de agentes e militares, e não podíamos admitir o trabalho escravo aqui no Brasil com a máscara de trabalho humanitário voltado para pobres”.

Nas redes sociais, o presidente eleito não deixou a polêmica morrer, e voltou a falar sobre o assunto reforçando o posicionamento do futuro governo.

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