Paulo Guedes é denunciado em Comissão de Ética por fala sobre AI-5

Ação de autoria do senador Fabiano Contarato (Rede-ES) condena declaração sobre decreto anunciado na ditadura

O ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Marcos Corrêa/PR

O ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Marcos Corrêa/PR

Política

O ministro da Economia, Paulo Guedes, é alvo de denúncia na Comissão de Ética Pública da Presidência da República, apresentada nesta terça-feira 26, em função da declaração sobre possível anúncio de decreto baseado no Ato Institucional nº 5 (AI-5). A representação é de autoria do senador Fabiano Contarato (Rede-ES).

Na segunda-feira 25, Guedes disse à imprensa, em Washington, que o governo poderia estabelecer uma medida como o AI-5 para conter manifestações.

“Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”, disse o ministro, na ocasião.

Na ação, Contarato condenou a fala do economista e escreveu que o AI-5 foi “um dos mais graves atentados às instituições democráticas e republicanas no Brasil”.

“Se estivesse em vigor o AI-5, não haveria eleições livres ou debate político no país. Não haveria liberdade de expressão e manifestação nas redes sociais, ou mesmo imprensa livre, traços tão corriqueiros dos tempos atuais. Em relação a tempos de ditadura e atos de censura, não há o que celebrar”, defendeu o senador, no documento.

O parlamentar também sustentou que o AI-5 representou materialização da máxima de que o crescimento se daria com “sangue, suor e lágrimas”. Também frisou que a promulgação da Constituição Federal de 1988 passou a proibir medidas autoritárias pelo governo.

Contarato acusa que a conduta de Guedes atenta ao Código de Ética da Alta Administração Federal, ao texto constitucional e aos princípios da República Federativa do Brasil.

Ele ressaltou ainda que o ministro pode ser enquadrado em artigo da Lei de Segurança Nacional, que prevê os crimes que lesam ou expõem a perigo de lesão “o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito”.

“Face ao exposto, requer-se que essa Comissão de Ética Pública adote as providências legais com vistas à apuração do ocorrido e, ao final, recomende as providências legais cabíveis, especialmente a pena de advertência ou censura ética, conforme aplicável ao tempo do julgamento”, pediu o senador.

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Repórter do site de CartaCapital

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