Política

Os pedidos de Lula ao novo PGR, Paulo Gonet

Na cerimônia de posse, o presidente relembrou os atos golpistas do 8 de Janeiro e enfatizou que o MP precisa ‘garantir a liberdade, democracia, a verdade’

Posse do novo Procurador Geral da República, Paulo Gonet. Foto: Ricardo Stuckert
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O presidente Lula (PT) ressaltou nesta segunda-feira 18, na cerimônia de posse de Paulo Gonet como procurador-geral da República, a importância da independência e seriedade nas investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal. 

Em uma menção indireta, Lula relembrou como a Lava Jato fomentou o início dos discursos golpistas que gerou, anos depois, os atos de destruição do 8 de Janeiro contra os Três Poderes. 

“Houve um momento em que aqui neste país as denúncias das manchetes de jornais falaram mais alto do que os autos dos processos. Muitas vezes”, afirmou. “E, quando isso acontece, se negando a política, o que vem depois é sempre pior do que a política. Não existe a possibilidade de o MP achar que todo o político é corrupto”.

Ao dizer isso, o presidente ponderou ainda que não se pode “permitir que nenhuma denúncia seja publicizada antes de se saber se é verdade”. E emendou: “É importante que o MP recupere aquilo que foi razão pela qual os constituintes enalteceram o MP: garantir a liberdade, democracia, a verdade“. 

Mencionando os atos do 8 de Janeiro, o petista disse também que o novo PGR não deve se submeter a nenhum presidente de quaisquer poderes e nem “à manchete de nenhum jornal ou de um canal de televisão”, pois, “acusações levianas não fortalecem a democracia, não fortalecem as instituições”.

“Se a gente quiser evitar aventuras neste País como a que aconteceu dia 8 de janeiro deste ano, se a gente quiser consagrar o processo democrático como o regime político mais extraordinário que o ser humano conseguiu inventar, o MP precisa jogar o jogo de verdade”, destacou Lula. “E aí, na tua pessoa, que eu depois de conversar com muitos procuradores, cheguei à conclusão de que deveria depositar a confiança do povo brasileiro.”

O presidente também garantiu que não irá exercer influência sobre a PGR. “Da minha parte, eu quero te dizer publicamente: nunca lhe pedirei um favor pessoal, nunca exercerei sobre o Ministério Público qualquer pressão pessoal para que alguma coisa não seja investigada”.

“A única coisa que te peço: não faça o Ministério Público se diminuir diante da expectativa de 200 milhões de brasileiros que acreditam nesta instituição. Seja o mais sério possível, o mais honesto possível, o mais duro possível, mas, ao mesmo tempo, o mais justo possível com a sociedade brasileira”, finalizou.

Gonet rejeita ‘palco’ e ‘holofotes’

Em seu discurso, o novo PGR Paulo Gonet indicou a importância da harmonia entre os poderes e ressaltou que o órgão é “corresponsável pela preservação da democracia” e que “não busca palco, nem holofotes”.

Gonet substitui Augusto Aras, que deixou o cargo em setembro. A sua indicação foi aprovada pelo Senado Federal na última quarta-feira 13, após passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça com 65 votos favoráveis. 

Segundo a Constituição Federal, o mandato do procurador-geral da República é de dois anos, com possibilidade de prorrogação por igual período.

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