ONGs desmentem questões ambientais citadas por Bolsonaro na ONU

Ativistas de defesa do meio ambiente acusam Bolsonaro de “voltar a mentir na tribuna da ONU”

O presidente Jair Bolsonaro na ONU. Foto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro na ONU. Foto: Alan Santos/PR

Política

Logo após o discurso do presidente brasileiro na 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira (21), as ONGs publicaram comunicados desmentindo as questões ambientais citadas na fala presidencial.

Jair Bolsonaro fez seu terceiro discurso na tribuna da ONU afirmando que ia mostrar um “Brasil diferente”, mas, segundo o Observatório do Clima, o presidente falou “de um Brasil que só existe a seus olhos e de seus seguidores”.

A entidade, formada em 2002 e composta por 68 organizações não governamentais e movimentos sociais, utilizou vários dados para provar que, ao contrário do declarado no discurso, Bolsonaro não “se importa com meio ambiente e clima, mentiu novamente e, mais uma vez, defendeu sua política antiambiental”.

No atual governo brasileiro, o desmatamento cresce e deve manter neste ano o patamar de 10 mil km²; os incêndios florestais bateram recorde e a grilagem de terras explodiu. Na Amazônia, o garimpo e a invasão de terras indígenas explodem em municípios “fechados com Bolsonaro”, diz o comunicado.

Acordo do Clima de Paris

“Se o comportamento dos demais líderes globais fosse o mesmo do presidente brasileiro, a meta de estabilizar o aquecimento global em 1,5°C seria inalcançável”, afirma o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, citado no release.

A entidade lembra que em dezembro de 2020, Brasília “apresentou à ONU uma atualização das promessas nacionais para o clima (NDC) que, na prática, possibilita ao país aumentar suas emissões de gases de efeito estufa em relação ao que havia se comprometido em 2015. Tal retrocesso contraria os princípios do Acordo de Paris e coloca em risco sua integridade”.

Há ainda os dois projetos de lei em tramitação no Congresso, com o apoio do Planalto, que colocam em risco as terras e os direitos das populações indígenas. “Desde o início do mandato, Bolsonaro promoveu uma agenda de destruição ambiental. Não será um discurso de 10 minutos que mudará essa realidade. O único ato confiável do presidente brasileiro em favor do clima e da Amazônia seria ele apresentar sua carta de renúncia”, salientou Astrini.

Sobrevoos registram imagens dramáticas da Amazônia

Sobrevoos realizados na semana passada pela Aliança Amazônia em Chamas comprovaram que a Amazônia continua encoberta pela fumaça e marcada pela devastação criminosa sem controle. O resultado da expedição, ocorrida entre os dias 14 e 17 de setembro nos municípios de Porto Velho (Rondônia) e Lábrea (sul do Amazonas), foi divulgado logo após o discurso do presidente brasileiro na ONU.

A Aliança Amazônia em Chamas é formada pelas organizações Amazon Watch, Greenpeace Brasil e Observatório do Clima. As primeiras imagens do projeto liberadas nesta terça-feira mostram extensas áreas desmatadas em julho e já consumidas pelo fogo. “São polígonos de 1.550 a 2.450 hectares, equivalentes a 2.012 a 3.181 campos de futebol, que estão entre os cinco maiores desmatamentos do estado do Amazonas”, indica o comunicado.

Os sobrevoos também detectaram cicatrizes de garimpo em meio a áreas protegidas, pistas de pouso clandestinas, grandes glebas em preparo para plantio e gado pastando junto a queimadas recentes.

“O que vimos foi a floresta encoberta pela fumaça do alto e marcada pela devastação criminosa e sem controle no chão”, conta Romulo Batista, porta-voz da Campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, que vive e trabalha na região há 15 anos, citado no release.

“Perder o sul do Amazonas, considerado o coração da Amazônia, pode nos colocar ainda mais próximos do ponto de não retorno da floresta. O momento é para agir contra o crime e não para encobri-lo”, alertou no comunicado Ana Paula Vargas, diretora do programa para Brasil da Amazon Watch.

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