Número de fake news sobre fraude eleitoral cresce no Facebook e Youtube, revela estudo

2020 já desponta como o segundo ano com mais conteúdos sobre o tema no período, atrás apenas de 2018

Foto: iStock

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Política

A circulação de conteúdos no Facebook e no Youtube que tratam de suposta fraude nas urnas e de manipulação eleitoral no Brasil aumentou entre os anos de 2014 e 2020. É o que revela estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV (Fundação Getulio Vargas), com cooperação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgado nesta semana.

 

 

O levantamento investigou a circulação de links relacionados a narrativas que desqualificam os sistemas de votação do País para examinar a formação de climas de opinião que envolvem as desconfianças.  De acordo com os pesquisadores, foram analisadas  103.542 publicações contendo URLs (101.509 do Facebook e 2.033 do YouTube) que circularam em anos de eleições gerais (2014 e 2018), eleições municipais (2016 e 2020) e não eleitorais (2015 e 2017).

“O volume de publicações que confronta o sistema eleitoral saltou exponencialmente, como previsto, no ano de 2018, no contexto da corrida presidencial, mas essa tendência se mantém elevada ao longo de 2020”, diz o documento.

“O ano de 2020  já desponta como o segundo com mais conteúdos sobre o tema no período, mesmo contando com apenas nove meses de coleta. Até a primeira quinzena de outubro de 2020, o volume de postagens com links sobre o assunto abrange 56,0% no Facebook e 72,4% no YouTube do que circulou em todo ano de 2018. Como mostra o gráfico abaixo, foram pelo menos 32.052 links publicados no Facebook no ano eleitoral de 2018, o que representa 30,9% da amostra”, acrescenta.

 

 

 

De acordo com o estudo, no Facebook, o link com maior engajamento no período analisado foi “PF desmantela quadrilha que cobrava até R$ 5 milhões para fraudar urnas eletrônicas”.

Na segunda posição, aparece “TSE entregou códigos de segurança das urnas eletrônicas para a Venezuela e negou acesso para auditores brasileiros”, do Jornal da Cidade Online.

 

 

Já no Youtube, os mais visualizados foram “TENSÃO NO STF: PERITOS DESMASCARAM URNAS ELETRÔNICAS”, do canal TopTube Famosos, e entrevista com Diego Aranha, que fala sobre falhas das urnas eletrônicas, no programa The Noite, de Danilo Gentili, no SBT.

“No período entre janeiro de 2014 e outubro de 2020, foram registradas 16.107.846 interações totais no Facebook e 23.807.390 visualizações totais no YouTube. Novamente, chama a atenção a excepcionalidade do ano de 2018, que somou 6.609.658 (41%) das interações totais no Facebook e 12.391.949 (52%) das visualizações totais no YouTube”, mostra a pesquisa.

 

Eleições 2020

Neste ano de eleições municipais, um dos links mais compartilhados foi uma denúncia do presidente Jair Bolsonaro por suposta fraude nas urnas do Brasil.

 

 

“Observa-se que os três links mais compartilhados são, na verdade, publicações antigas, com forte presença nas redes ao menos desde 2018. Essa é uma característica importante, se levarmos em conta que tal circulação pode ser reanimada a partir de nova publicação de links imagens e textos”, aponta o levantamento.

O estudo destaca que, “os links antigos também foram acompanhados por seis matérias que tiveram a primeira publicação em 2020”. Neste caso, os links inéditos,  somados ao aumento geral de compartilhamentos sobre o assunto, “sugerem uma caraterística de campanha intencional no agendamento do tema”.

O estudo “Desinformação online e eleições no Brasil: A circulação de links sobre desconfiança no sistema eleitoral brasileiro no Facebook e no YouTube (2014-2020)” pode ser lido na íntegra.

 

 

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