Na CPI, Kátia Abreu lista ataques de Araújo a China, OMS e Biden: ‘O senhor colocou o Brasil na irrelevância’

Embates entre os dois não são novidade. Um dia antes de ser demitido do Itamaraty, o então chanceler expôs uma conversa reservada

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Política

A senador Kátia Abreu (PP-TO) proferiu um duro discurso contra o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo durante a sessão desta terça-feira 18 da CPI da Covid.

Ela elencou os ataques do bolsonarista a parceiros estratégicos, destacou o impacto dessa retórica belicista sobre a vacinação no País e lamentou a imagem do Brasil no cenário internacional.

 

 

“Imagino que o senhor tenha uma memória seletiva, para não dizer leviana. O senhor não lembra de nada do que importa e do que ocorreu efetivamente. E se lembra de questões mínimas, supérfluas e até mesmo não verdadeiras”, disse a parlamentar logo na abertura do discurso. Ela preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

Ao defender a aliança com a China, país que desenvolveu a Coronavac e do qual o Brasil depende para obter insumos necessários para a produção de imunizantes, Abreu relembrou que, até abril, “85% de todas as vacinas colocadas nos braços dos brasileiros vieram da China, a despeito do senhor”.

“Por que a implicância com a vacina da Covid? Eu não consigo entender”, acrescentou, citando a imunização promovida no Brasil contra dezenas de outras doenças.

Ao recuperar algumas declarações ofensivas de Araújo contra a China, Kátia Abreu citou a publicação de um artigo, de autoria do ex-chanceler, intitulado “Chegou o comunavírus”.

“China tão atacada, Tedros Adanon [presidente da Organização Mundial da Saúde] tão atacado, governo Biden tão atacado… Hoje nós estamos nas mãos dessas pessoas que o senhor ajudou a atacar com tanta força”, prosseguiu. “O senhor deve desculpas ao País. O senhor é um negacionista compulsivo, omisso. O senhor no MRE foi uma bússola que nos direcionou ao caos, a um iceberg, a um naufrágio na política externa brasileira. Isso é voz unânime dos seus colegas no mundo inteiro, o alívio que tiveram quando Vossa Senhoria de lá saiu”.

No encerramento de seu discurso, Abreu disse a Araújo que “pior que pária, o senhor colocou o Brasil na posição de irrelevância. E eu não aceito que o meu País seja irrelevante”.

Os embates entre Kátia Abreu e Ernesto Araújo não são uma novidade. Em 28 de março, um dia antes de ser demitido do Itamaraty, o chanceler bolsonarista atacou a senadora e divulgou o conteúdo de uma conversa privada que os dois mantiveram em um almoço.

“Em 4/3 recebi a senadora Kátia Abreu para almoçar no MRE. Conversa cortês. Pouco ou nada falou de vacinas. No final, à mesa, disse: ‘Ministro, se o senhor fizer um gesto em relação ao 5G, será o rei do Senado’. Não fiz gesto algum”, escreveu Araújo.

“Desconsiderei a sugestão inclusive porque o tema 5G depende do Ministério das Comunicações e do próprio Presidente da República, a quem compete a decisão última na matéria”.

Em nota divulgada naquele dia, Abreu afirmou que “se um chanceler age dessa forma marginal com a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado da República de seu próprio País, com explícita compulsão belicosa, isso prova definitivamente que ele está à margem de qualquer possibilidade de liderar a diplomacia brasileira”.

Um dia antes, a senadora havia compartilhado nas redes sociais a notícia de que um grupo de mais de 300 diplomatas publicou uma carta em que acusava a política externa do governo Bolsonaro de provocar “graves prejuízos para as relações internacionais e à imagem do Brasil”. Os diplomatas defendiam ainda a demissão de Araújo.

 

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