Na Bélgica, Lula critica ‘manipulação de algoritmos’ nas redes e defende regulamentação

O petista também afirmou que os progressistas têm de focar em três temas: desigualdade, mudanças climáticas e geração de empregos

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Política

O ex-presidente Lula afirmou na Bélgica, nesta quinta-feira 18, que sonha com a recuperação da democracia no Brasil. Ele também apontou os riscos de uma atuação sem freios das empresas que detêm as principais redes sociais, com potencial para causar graves danos aos regimes democráticos.

 

 

Lula concedeu entrevista ao Grupo S&D, em Bruxelas, horas antes de participar, na Espanha, do seminário “Cooperação multilateral e recuperação regional pós-Covid-19”, promovido pela ONG Common Action Forum. No evento, o ex-presidente defendeu a formação de uma “aliança global” contra a fome, tema também abordado na Bélgica.

“Eu sonho agora em recuperar a democracia do meu País. Que o Brasil volte a ser democrático e se transforme em um exemplo para o mundo, na questão do clima, do emprego, do salário, da educação”, disse. “Exemplo na qualidade do ser humano que queremos criar: fraterno, que simboliza o amor e a paz.”

Segundo ele, uma agenda progressista, em qualquer parte do mundo, tem de se centrar em três temas “inseparáveis”: a desigualdade, as mudanças climáticas e a geração de empregos.

“Não é possível que os setores progressistas não estejam incomodados com a desigualdade que toma conta do mundo. Embora o mundo produza alimentos necessários para a humanidade, temos 800 milhões de seres humanos que vão dormir toda noite sem ter o que comer”, criticou.

O petista pediu “seriedade” aos progressistas na agenda ambiental e disse ser impossível projetar crescimento econômico sem considerar os impactos ao meio ambiente. “É preciso pensar no crescimento econômico sustentável, gerando emprego e riqueza e, ao mesmo tempo, preservando o meio ambiente.”

Ao disparar contra a “loucura digital”, Lula afirmou ser necessário discutir como gerar empregos para atender “milhões de jovens que todo dia atingem idade para trabalhar, mas não têm emprego, passam a perder a esperança e vão ficando desesperados”.

Para o ex-presidente, é indispensável estabelecer um modelo democrático “em que todas as pessoas tenham igualdade e oportunidade de se organizar e competir e, ao mesmo tempo, tem de haver uma economia democrática, em que todos tenham condições de acesso às calorias e às proteínas necessárias, uma educação democrática, os meios de comunicação têm de ser democráticos”.

Questionado sobre os riscos à democracia no cenário global, Lula mencionou como exemplo o impacto da disseminação de fake news em redes sociais na ascensão de extremistas de direita como Donald Trump e Jair Bolsonaro.

“Todo mundo sabe que a eleição do Trump se deveu à construção de um processo de mentiras veiculado pelas redes digitais. No Brasil temos um presidente que conta cinco mentiras por dia pelas redes. Isso nos alimenta da necessidade de vivermos mais democraticamente, porque vamos ter de regulamentar as redes sociais”, avaliou Lula, que declarou que “uma coisa é utilizar os meios de comunicação para informar e educar, outra coisa é fazer maldade, contar mentiras, causar prejuízo à sociedade”.

“A gente não pode permitir que seja utilizada uma revolução como essa da digitalização para o mal. Eu não quero ser algoritmo, quero continuar sendo ser humano. Não quero ser teleguiado, quero ter sentimentos. Eu quero decidir o que faço, o que compro, no que eu voto, e isso precisamos regulamentar”, prosseguiu o petista. “Para que alguns espertos e maldosos não tentem virar donos da humanidade através da manipulação de algoritmos.”

 

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