Ministério Público retoma investigações sobre Flávio Bolsonaro e Queiroz

Apuração será retomada depois que o STF decidiu regras para o uso de dados sigilosos de órgãos de controle pelo MP

Investigações no caso Marielle revelaram que parte do gabinete do então deputado e atual senador pelo PSL/RJ Flavio Bolsonaro tinha ligações com milícia (Foto: Mateus Bonomi / AGIF).

Investigações no caso Marielle revelaram que parte do gabinete do então deputado e atual senador pelo PSL/RJ Flavio Bolsonaro tinha ligações com milícia (Foto: Mateus Bonomi / AGIF).

Política

O Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu retomar as investigações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. O parlamentar é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro e peculato. A apuração também envolve o seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Em nota, o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC/MPRJ) afirmou que as investigações sobre o caso Queiroz foram retomadas e continuam sob sigilo.

A apuração estava suspensa desde julho e aguardava uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade de repasses de informações sigilosas por órgãos como o antigo Coaf e a Receita Federal com o MP sem autorização judicial. Na quarta-feira 4, o STF estabeleceu uma regra para compartilhamento sem autorização judicial de dados sigilosos de órgãos de controle, como a Unidade de Inteligência Financeira (UIF, antigo Coaf) e Receita Federal, com o Ministério Público.

De acordo com a tese aprovada pelos ministros, esse compartilhamento pode ser feito somente por meio de comunicações formais, ou seja, os sistemas e vias oficiais de cada órgão.

Pelo menos outras 935 investigações do MPF (Ministério Público Federal) também ficaram paralisadas, à época, com a decisão de presidente do Supremo, Dias Toffoli.

Relatórios produzidos pelo Coaf identificaram movimentações atípicas na conta bancária de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, no valor de 1,2 milhão. As operações se davam em depósitos e saques em dinheiro, o que chamou a atenção dos promotores do MP-RJ. A principal suspeita dos investigadores é da prática da “rachadinha”, como ficou popularmente conhecido o desvio pelo parlamentar de parte do salário dos funcionários de seu gabinete.

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