Manifesto pede impeachment de Bolsonaro, renda emergencial e vacinação

Documento já conta com apoio de Nelson Barbosa, Guido Mantega, André Lara Resende, Monica De Bolle e Fernando Haddad

Foto: Sergio Lima / AFP

Foto: Sergio Lima / AFP

Política,Sociedade

O coletivo Arroz, Feijão e Economia, formado por estudantes de universidades públicas e privadas do Brasil, divulgou nesta sexta-feira 29 um manifesto em que pede o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, a vacinação imediata da população e uma renda emergencial para conter a crise provocada pela pandemia do coronavírus.

“O atual cenário do nosso País exige que nós, economistas e estudantes de economia, nos posicionemos contra os crimes de responsabilidade cometidos por Jair Bolsonaro e em favor de políticas de governo condizentes com a crise sanitária e econômica sem precedentes que vivemos”, diz o documento.

Nas redes sociais do coletivo é possível assinar o texto como apoio. Nomes como André Lara Resende, Monica De Bolle, Eduardo Moreira, Fernando Haddad, Guido Mantega, Nelson Barbosa, Nelson Marconi e Laura Carvalho subscrevem o manifesto.

 

 

O coletivo também criou uma página para colher novas assinaturas.

Leia a íntegra do texto:

Economistas pelo Fora Bolsonaro: Impeachment, Renda Emergencial e Vacinação Já!

Nós, economistas e estudantes de economia, sabendo da importância do exercício cotidiano da Economia na garantia de bem estar da população, defendemos o papel ativo das instituições de pesquisa e do Estado frente à crise sanitária e econômica causada pela pandemia de COVID-19. Nesse duro momento do nosso país, precisamos de saídas que protejam a vida, a renda, o acesso à saúde e que combatam o aumento das desigualdades que acometem o povo brasileiro. Por isso, é urgente o posicionamento e a mobilização favorável ao impedimento de um dos maiores agravantes da crise que vivemos hoje, o Presidente da República.

Já são mais de 220 mil mortes de brasileiras e brasileiros. São mais de 14 milhões de pessoas desempregadas em um país que desencontrou o caminho de retomada do crescimento e perdeu qualquer protagonismo internacional. A situação que o Brasil se encontra não é fruto apenas da pandemia e nem da incapacidade do Presidente de liderar um país em crise. O momento que vivemos é fruto de um governo negacionista, que deliberadamente ataca a ciência, a vida e as instituições democráticas de direito. O descaso do chefe de Estado com sua própria população é evidente desde o início da pandemia, chamando-a de “gripezinha”, incentivando as pessoas à não seguirem as recomendações médicas de isolamento, aplicando verbas públicas na produção e incentivo ao uso de medicamentos ineficazes contra o coronavírus e danosos à saúde, cortando verbas de instituições de pesquisa, fazendo campanha contra o uso de vacinas e, mais recentemente, demonstrando absoluta negligência no caso de colapso do sistema de saúde de Manaus e nas negociações para operacionalizar a vacinação no Brasil. São crimes de responsabilidade contra o povo inaceitáveis em uma democracia.

O país precisa urgentemente de um plano de vacinação nacional eficaz. A vacina é um bem comum e é o único instrumento capaz de controlar a disseminação da doença, salvando vidas e garantindo as condições básicas para a recuperação econômica. Na direção contrária do que tem defendido o Presidente, é urgente a operacionalização acelerada de um plano de vacinação nacional que siga e fiscalize uma fila de priorização dos grupos mais vulneráveis e que garanta a vacinação para todas e todos. Isso se torna ainda mais vital em meio aos rumores do surgimento de novas variantes da COVID-19 que sejam mais contagiosas e letais. A vacinação é um direito, e deve ser garantido a todos brasileiros.

A pandemia não acabou, pelo contrário, nos encontramos em um momento de aceleração do número de óbitos. Da mesma forma, a renda emergencial não deve acabar. O auxílio foi essencial para garantir a sobrevivência de mais de 68 milhões de brasileiros e impedir um colapso da economia nacional. Ao invés do abandono, do desemprego e do retorno dos mais pobres à fome, é preciso assistir às famílias com uma renda emergencial que possa garantir a vida e o distanciamento social necessário nesse momento. Além disso, o auxílio é uma medida importante de estímulo à economia brasileira que possibilita que a retração da atividade econômica e da arrecadação governamental não sejam ainda maiores.

O atual cenário do nosso país exige que nós, economistas e estudantes de economia, nos posicionemos contra os crimes de responsabilidade cometidos por Jair Bolsonaro e em favor de políticas de governo condizentes com a crise sanitária e econômica sem precedentes que vivemos.

Pela vacinação universal, pela renda emergencial e pelo impedimento de Bolsonaro, assinamos essa nota,

Coletivo Arroz Feijão e Economia – Organização

Fernando Haddad, professor do Insper e da FFLCH-USP, ex-ministro da educação e ex-prefeito de São Paulo, mestre em economia pela FEA-USP

Nelson Barbosa, professor da EESP-FGV e FACE-UnB, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento

Guido Mantega, professor da EESP-FGV e ex-ministro da Fazenda

André Lara Resende, economista, ex-presidente do Banco Central e do BNDES e ex-assessor especial da Presidência da República

Monica de Bolle, professora do Peterson Institute e da John Hopkins University

Eduardo Moreira, ICL

Laura Carvalho, professora da FEA-USP

Nelson Marconi, economista, professor da EESP-FGV

Luiz Gonzaga Belluzzo, professor aposentado do IE-Unicamp

Aloízio Mercadante, ex-ministro da Casa Civil, da Educação e da Ciência e Tecnologia

Tereza Campello, professora da Escola Fiocruz e Universidade de Nottingham, ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

José Sérgio Gabrielli de Azevedo, professor da UFBA e ex-presidente da Petrobrás

Fernando Damata Pimentel, ex-governador de Minas Gerais

Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP e Presidente do Conselho Federal de Economia

Antonio José Corrêa do Prado, secretário executivo-adjunto da Cepal

Márcio Percival, professor do IE-Unicamp e vice-Presidente da Caixa Econômica Federal

Paulo Nogueira Batista Jr, professor EAESP-FGV e ex-diretor executivo do FMI

André Calixtre, pesquisador do IPEA, ex-assessor especial do ministério do Trabalho, da Previdência Social e da Secretaria-Geral da República

Leda Maria Paulani, professora aposentada da FEA-USP e ex-secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão da Prefeitura de São Paulo

Esther Dweck, professora do IE-UFRJ

Guilherme Mello, professor do IE-Unicamp

Pedro Rossi, professor do IE-Unicamp

Fernando Rugitsky, professor da FEA-USP

Elias Jabbour, professor do PPGCE-UERJ

André Roncaglia, professor do EPPEN-Unifesp

Uallace Moreira, professor da FCE-UFBA

Marco Antonio Rocha, professor do IE-Unicamp

Márcio Pochmann, professor do IE-Unicamp

Frederico Jayme Júnior, professor da FACE-UFMG

Rafael Ribeiro, professor da FACE-UFMG

Débora Freire, professora da FACE-UFMG

Marco Flávio da Cunha Resende, professor da FACE-UFMG

David Deccache, professor da FACE-UnB

Eduardo Costa Pinto, professor do IE-UFRJ

Ricardo Carneiro, professor IE-Unicamp

Eduardo Pereira Nunes, professor EESP-FGV, ex-presidente dos grupos de Agricultura e Trabalho da Comissão de Estatística da ONU

Sandra Márcia Chagas Brandão, economista e ex-assessora de gabinete da Presidência da República

William Nozaki, professor da FESPSP

André Biancarelli, professor IE-Unicamp

Eduardo Fagnani, professor do IE-Unicamp

Marcelo Manzano, professor do IE-Unicamp e FLASCO.

Marta Reis Castilho, professora IE-UFRJ

Sérgio Eduardo Arbulu Mendonça, economista e ex-secretário de Relações do Trabalho no Serviço Público do Ministério do Planejamento

Juliane Furno, economista-chefe do IREE

Paulo Roberto Feldmann, professor da FEA-USP, engenheiro, ex-presidente da Eletrobras e pós-graduado em economia
Antônio Negromonte Nascimento Jr., economista

Raul Ristow Krauser, economista

Carlos Alberto Gadelha, economista

Gerson Gomes, economista

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