Política

Lula volta a dar bronca em ministros e cobra maior coordenação em resposta à tragédia no RS

Presidente vetou seus auxiliares de anunciarem medidas antes delas serem discutidas internamente

Brasília (DF) 13/05/2024 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de uma reunião ministerial para apresentar novas medidas de auxílio para ao estado do Rio Grande do Sul que sofre com as enchentes. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a reclamar da falta de articulação entre ministros nas ações de socorro às vítimas dos temporais que assolam o Rio Grande do Sul desde a última semana e vetou seus auxiliares de anunciarem medidas antes delas serem discutidas internamente.

Todos os integrantes da Esplanada participam da reunião de emergência convocada pelo petista para esta segunda-feira, com objetivo de discutir a situação das chuvas no estado. Os temporais resultaram em 147 mortes e impactaram a vida de pelo menos 2,1 milhões de gaúchos.

No discurso de abertura, Lula ressaltou a importância de cada ministro se esforçar para retratar de forma consistente o que está acontecendo, evitando fornecer informações duvidosas. A reunião aconteceu a portas fechadas, a gravação do discurso foi enviada à imprensa pela Secom.

“Não dá para cada um de nós que tem uma ideia anunciar publicamente”, afirmou o presidente. “Uma ideia é um instrumento de conversa do governo para a gente transformar uma ideia em uma política real. Não é cada um que tem uma ideia ir falando da sua ideia, falando que vai fazer. Isso termina não construindo uma política pública sólida e atuação homogênea“.

Mais adiante, o petista reiterou suas críticas ao negacionismo das mudanças climáticas e disse que o assunto é mais “sério do que muita gente acredita”. Além disso, elencou ministros que devem ampliar a divulgação das ações no RS com objetivo de frear o avanço das notícias falsas sobre uma suposta omissão do governo federal ante a crise no estado.

Entre os alvos da cobrança nominal estão Fernando Haddad (Fazenda), José Múcio Monteiro (Defesa), Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Paulo Pimenta (Secom) e Waldez Góes (Integração). Os integrantes do governo precisam abordar as ações de socorro financeiro e a atuação das Forças Armadas no estado.

Horas antes da reunião no Planalto, Lula já havia manifestado preocupação com a difusão das fake news sobre a catástrofe. Depois de anunciar a suspensão do pagamento da dívida do RS com a União por três anos, o petista cobrou atenção com o que classificou como um “grupo de negacionistas que tentam destruir as coisas boas e vendem mentiras”.

“Nós precisamos ter muito cuidado para que a gente não permita esses provocadores baratos, essa gente que vive mentindo, que vive fazendo fake news leve alguma vantagem”, completou o presidente, em referência às ações do Poder Público, de entidades não-governamentais e organizações da sociedade civil para mitigar os estragos provocados pelas tempestades.

A divulgação de notícias falsas relacionadas à catástrofe gaúcha tem sido uma preocupação a mais para autoridades envolvidas no trabalho de redução de danos e atendimento à população atingida.

Nas últimas semanas, circularam desinformações, por exemplo, de que comboios com doações de mantimentos para a população atingida estavam sendo barrados em postos de fiscalização por excesso de peso ou ausência de nota fiscal. Essa e tantas outras mentiras ganharam tração nas redes sociais de parlamentares bolsonaristas.

Ainda na reunião no Planalto, Lula disse que reconstruir o estado é um compromisso do seu governo e prometeu anunciar novas medidas de apoio ao estado durante esta semana. Um novo pacote de medidas financeiras de auxílio às vítimas deve ser apresentado nesta terça-feira.

Na quarta-feira, a expectativa é que o presidente desembarque no estado pela terceira vez desde o início das fortes chuvas. “É uma infinidade de problemas que a gente vai ter que cuidar, é uma coisa de médio e, eu diria, até de longo prazo. Recuperar aquele estado vai ser bastante difícil, é um compromisso nosso de deixá-lo como era antes da chuva”, afirmou.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor…

O bolsonarismo perdeu a batalha das urnas, mas não está morto.

Diante de um país tão dividido e arrasado, é preciso centrar esforços em uma reconstrução.

Seu apoio, leitor, será ainda mais fundamental.

Se você valoriza o bom jornalismo, ajude CartaCapital a seguir lutando por um novo Brasil.

Assine a edição semanal da revista;

Ou contribua, com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo