Política

Lira confirma que Centrão receberá Caixa ‘de porteira fechada’ nos próximos dias

Segundo presidente da Câmara, acordo para que o Centrão receba o comando do banco foi feito com o governo federal como parte da reforma ministerial

Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira e Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados
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O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), admitiu que fará indicações políticas para cargos estratégicos na Caixa Econômica Federal. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada no último domingo 17, Lira disse que foi feito um acordo com o presidente Lula (PT) para que Caixa seja entregue ao Centrão de “porteira fechada”, um expressão que indica que todas as doze vice-presidências do banco serão preenchidas por pessoas indicadas pelo Centrão.

A Caixa faz parte do acordo com os partidos“, disse Lira, ao tratar das indicações para o banco, que vão passar por sua chancela. O presidente da Câmara disse que ainda terá uma conversa com Lula “por esses dias”, para efetivar as trocas no banco. “Ainda vou ter que conversar internamento no meu partido. Os nomes serão colocados à disposição do presidente, que fará a escolha”, afirmou Lira.

Atualmente, a presidente da Caixa é Rita Serrano, funcionária de carreira do banco há mais de trinta anos. Outro cargo de interesse do Centrão é a vice-presidência de Habitação Social – ocupada, atualmente, por Inês Magalhães -, que coordena os pagamentos do programa Minha Casa, Minha Vida. O acerto para as trocas foi feito durante as negociações da reforma ministerial promovida pelo governo Lula neste mês.

“A turma terá responsabilidade. A exoneração é o primeiro convite para quem não andar corretamente”, disse Lira, ao defender as indicações políticas. “A conversa inicial era que ou na cota do PP ou na minha cota isso fosse indicado, mas isso será bem ampliado para todos os partidos que fizeram parte do acordo”, admitiu.

Sobre a reforma ministerial, Lira não vê problemas em assumir que “há uma aproximação de partidos de centro que não faziam parte da base do governo”. Na visão do presidente da Câmara, a oposição ao governo na Casa teria, atualmente, “em torno de 120, 130 votos cristalizados”, de forma que o governo “deve estar numa base resolvida”.

Críticas à atuação da PF e à delação de Mauro Cid

Lira aproveitou para alertar o governo sobre a necessidade de ter “cuidado com alguns excessos que estão aflorando” em investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). Em mais de um trecho da entrevista à Folha, Lira criticou o que considera ser uma “polícia política”. Para Lira, um exemplo de “excesso” da PF é a investigação contra Walter Braga Netto, no caso de compra com sobrepreço em coletes balísticos durante a intervenção federal no Rio de Janeiro.

Sobre o acordo de delação premiada entre o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, e a PF, Lira comentou que condena delações feitas por réus presos.

“Todo mundo era contra a delação de réu preso lá atrás. Nós estamos tratando de delação de réu preso hoje de novo, feita pela Polícia Federal”, disse Lira. “Emitir juízo de valor sobre a questão de mérito, não vou fazer, não conheço o conteúdo da delação. Agora, ponto pacífico é que delação de réu preso é impossível”, pontuou.

Embora esteja solto atualmente, o acordo de delação de Cid foi feito quando ele estava preso.

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