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Jaques Wagner: “não sei prever o tamanho da crueldade do novo governo”

Política

Colaboração para Carta Capital

O governo do presidente eleito Jair Bolsonaro(PSL), dentro das articulações previstas por sua equipe de transição, já tem confirmada a chamada Secretaria da Desestatização, nome que maquia mas não disfarça nem um pouco sua principal atribuição: a de desvincular total ou parcialmente do Estado as instituições públicas, que, na avaliação da nova administração, não apresentam bons desempenhos.

Em bom português, é a Secretaria da Privatização.

Foi diante deste cenário que Carta Capital promoveu nesta segunda-feira (3) mais uma edição do evento Diálogos Capitais, desta vez em Salvador.

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Os convidados para o debate foram o senador eleito pela Bahia, Jaques Wagner (PT), o diretor de Redação da revista, Mino Carta, a diretora da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (FENAE), Rita Serrano, o professor de Desenvolvimento Econômico da Universidade de Campinas (Unicamp), Luiz Gonzaga Belluzzo, e o empresário baiano Tiago Coelho.

Com o tema “Bancos públicos sob ataque: desafios, riscos e perspectivas”, o clima de incerteza gerado pelas constantes idas e vindas de Bolsonaro e do futuro  superministro da Economia, Paulo Guedes, pairava sobre os debatedores e convidados que encheram o auditório do Clube Espanhol.

“É um sujeito anacrônico. Guedes é um economista de Chicago que pensa como nos anos 60”, classificou Belluzzo. Já Mino Carta foi enfático sobre o resultado das urnas: “estamos caminhando para um país demente”, disparou.

Jaques Wagner disse não saber prever “o tamanho da crueldade” no novo governo. “Teremos um papel de redução de danos; afinal, ele [Bolsonaro] foi eleito. Serve de alento que 47 milhões de brasileiros estão do nosso lado”, afirmou ao se referir ao número de votos obtidos por Fernando Haddad em outubro.

Antes das eleições, Paulo Guedes chegou a afirmar que era a favor da venda de todas as empresas estatais, a pretexto de gerar “mais de um trilhão de reais”. “Só de pensar em um número desses, já dá pra ver que há algo errado”, sinalizou Tiago.

Pouco depois da polêmica gerada pela declaração, o futuro presidente da República disse não concordar totalmente com seu nomeado, e que seria a favor da manutenção do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica Federal em poder da União.

No entanto, de acordo com a diretora da FENAE,  medidas de privatização já vêm sendo tomadas internamente. Rita, que também representa os trabalhadores no Conselho de Administração da Caixa, afirma que há pelo menos dois anos o banco vem mudando de perfil.

“As tarifas foram aumentadas, os juros elevados, o crédito reduzido. Tudo em nome do lucro e dos dividendos. São políticas de instituição privada em um banco público”, alertou Serrano.

Com entrada franca, Diálogos Capitais é promovido pela FENAE em parceria com Carta Capital e percorre as principais metrópoles brasileiras debatendo temas de interesse nacional com especialistas, formadores de opinião e sociedade civil organizada.

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