…

Haddad: Brasil deve ajudar Venezuela a encontrar caminho pela democracia

Política

Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, afirmou em coletiva nesta quarta-feira 3 que o Brasil deve ajudar a Venezuela a “encontrar o caminho pela democracia”. A declaração ocorre em meio ao crescimento de tentativas de associar o petista ao governo autoritário de Nicolás Maduro, que ainda tem apoio de parte da legenda.

“Eu reconheço que há um problema de mediação entre as forças políticas de oposição e situação”, disse o presidenciável. “O Brasil tem que ter um papel de liderança nos países vizinhos que essas tendo conflitos. Não é papel do Brasil tomar partido. O partido que a gente tem que tomar é o do povo.”

Leia mais:
Bolsonaro x Haddad: faz sentido falar em eleição dos extremos?
Haddad: ‘A moldura do programa do Lula vem da interação entre nós dois’
Por que há ex-eleitores de Lula que votam em Bolsonaro?

Questionado sobre o tema pela imprensa estrangeira, o candidato disse que é preciso atuar junto a organismos multilaterias, como a ONU e OEA, “para garantir a democracia e não tomar lado”. “Isso não seria bom para ninguém. Inclusive porque eu ouço às vezes gente querendo deflagrar conflito com Bolívia, com Venezuela… Estamos há 140 anos sem guerra no Brasil.”

Em junho deste ano, a OEA puniu o governo venezuelano ao aprovar resolução que considera ilegítimas as eleições presidenciais em que Nicolás Maduro foi reeleito. Mais recentemente, em setembro, a Comissão de Direitos Humanos da ONU  aprovou resolução em que pede que o governo chavista “aceite a ajuda humanitária” para resolver o problema de desabastecimento de alimentos e remédios vividos pelo país.

Entre os apoiadores de Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, a narrativa de que uma vitória do PT abriria caminho para o Brasil se tornar “uma Venezuela” tem forte adesão.

Reportagem da CartaCapital publicada nesta quarta-feira 3 mostra que posição do PT “em cima do muro” em relação a Venezuela faz com que o discurso de que o Brasil vive uma eleição dos extremos se espalhe.

Para Claudio Couto, cientista político e professor da FGV, tal postura só alimenta ainda mais a falácia do discurso que vivemos dois entremos. “O PT sempre foi muito leniente com relação a Venezuela e por conta da sua defesa a esse país as pessoas falam: o PT é venezuelano, é chavista, sendo que nunca foi”, afirma Couto

“O PT deveria condenar claramente regimes autoritários. Não interessa se são regimes autoritários de esquerda ou de direita. A Venezuela, não vamos dourar a pílula, é uma ditadura. Tem pessoas presas, não se pode fazer oposição ali. ‘Ah, mas a oposição da Venezuela é péssima’. Não interessa se a oposição da Venezuela é péssima, inclusive porque não existe a oposição, existem oposições. É um pouco como o velho MDB aqui durante o regime militar, tem de tudo ali. Inclusive oposição de esquerda.”

 

Junte-se ao grupo de CartaCapital no Telegram

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site CartaCapital.com.br

Compartilhar postagem