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Brumadinho: há poucas chances de sobreviventes. Cinco são presos

Política

Chegam ao quinto dia as buscas na região do Córrego do Feijão, em Brumadinho. A região foi varrida por lama tóxica após o rompimento da barragem da Vale, na sexta-feira 29 . Oitenta e quatro mortes foram confirmadas até esta quarta-feira 30, e o número de desaparecidos é de 276.

Com chances cada vez menores de encontrar sobreviventes, as equipes agora se concentram no resgate de corpos e em evitar que a lama que tomou o Rio Paraoapeba chegue a outras cidades. Também começam a ser responsabilizados os primeiros envolvidos ligados à Vale – cinco engenheiros que atestaram a estabilidade da barragem foram presos.

Dois funcionários da certificado alemã TUV-Süd e outros três empregados da Vale em Minas Gerais foram detidos na manhã de terça 29. A operação foi deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais. De acordo com o MP, os detidos devem ficar presos por 30 dias em Belo Horizonte para prestar esclarecimentos.

A Vale anunciou transferência imediata de 100 mil reais a cada família vítima do desastre, mas fez questão de  ressaltar que o dinheiro não é parte de qualquer indenização, e sim de “doação”. Fica mantido também o pagamento de royalties de mineração a Brumadinho por tempo indeterminado.

Cerca de 60% das arrecadações do município no passado eram fruto dessa verba, o equivalente a 56 milhões.

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Apesar de cobranças política e social, a Vale ainda sibila sobre a mudanças no sistema de barragens. O chefe de finanças da companhia Luciano Siani prometeu um ‘plano ousado’ e investimentos ‘bastante grande’ na remodelagem dessas barragens.

Busca por sobreviventes se intensificou na segunda-feira, com o apoio de um contingente israelense (Foto: DOUGLAS MAGNO/AFP)

“Até então, se acreditava que com o monitoramento essas barragens era seguro. Há muito tempo a empresa não constrói barragens com essa tecnologia, mas existia um legado”, disse, em entrevista coletiva na noite de terça 29.

A barragem da mina do Córrego do Feijão foi construída em 1976 e adquirida pela Vale em 2001. Tanto essa barragem quanto a de Mariana foram construídas por um método arcaico, de alteamento a montante. Nesse método, a barreira de proteção é erguida com os próprios rejeitos compactados, que servem como fundação para futuros diques.

Há outros métodos mais seguros, como o alteamento a jusante, que forma uma espécie de ‘pirâmide’ e prevê ainda uma zona impermeável sobre a lagoa de rejeitos. Esse método chega a custar 3 vezes mais caro.

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‘Não há condição’ de governo intervir em diretoria , diz Onyx

Em meio à pressão, o presidente em exercício, Mourão, admitiu a possibilidade de intervenção na diretoria da Vale. Mas a informação é diferente das transmitidas nesta mesma terça por Onyx Lorenzoni. Segundo o ministro, ‘não há condição’ de o governo atuar nesse sentido.

“Nas empresas privadas o governo é acionista, e cabe ao acionista confiar no comando da empresa”, disse o ministro em coletiva na manhã desta sexta. “Até porque essa não seria uma sinalização desejável ao mercado”, completou.

Segundo informações da Folha de S. Paulo, o vice afirmou que o governo estudava meios de afastar o comando da companhia. Vale lembrar que o País é dono de uma golden share das ações da empresa, que foi fundada nos anos 40 e privatizada em 1997 pelo no governo FHC.

O governo anunciou ainda um plano de fiscalização e manutenção de barragens de alto risco, mas não estabeleceu prazos. Segundo as informações oficiais, 3.386 barragens são consideradas de alto risco.

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