Grupo simula bombardeio com fogos de artifício em prédio do STF

Ameaça ocorre após governo do DF desmontar acampamento de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro

Ameaças ao prédio do STF ocorrem após governo do DF desmantelar acampamento dos

Ameaças ao prédio do STF ocorrem após governo do DF desmantelar acampamento dos "300 do Brasil". Foto: Reprodução

Política

Um grupo de manifestantes explodiu fogos de artifício em torno do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de sábado 13, por volta das 21h30. Em um vídeo que circula nas redes sociais, um homem dispara ofensas e cita nomes de ministros como Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

“Entendeu o recado? Aí seus bandidos! Aqui é o povo, seus bandidos! STF dos infernos! Desafia! Seus cabeças de ovo! Toffoli bandido, medíocre! Vampira, Cármen Lúcia! Rosa Weber, sua medíocre! Lewandowski, seu bosta! Desafia o povo! Vocês vão cair, nós vamos derrubar vocês, seus comunistas! Gilmar Mendes, bandido”, berra o homem no vídeo, durante uma sequência de fogos de artifício lançados em direção à sede da Corte.

 

Os ataques ocorrem após o governo do Distrito Federal desmantelar um acampamento de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do DF argumentou que um decreto estadual proíbe aglomerações com mais de 100 pessoas em locais públicos, como forma de combater a proliferação do novo coronavírus. Segundo a pasta, houve tentativas de negociação para a desocupação da área, mas não houve acordo.

O acampamento ficou conhecido pela presença do grupo denominado como “300 do Brasil”, uma referência bélica aos “300 de Esparta”. A organização tem como principal figura a militante de extrema-direita Sara Winter e causou perplexidade após usar símbolos supremacistas em um protesto em frente ao STF, no fim de maio. Conforme mostrou CartaCapital, a articulação é considerada paramilitar, caráter que infringe a Constituição Federal.

Sara Winter publicou uma série de mensagens de protesto na internet, contra o desmonte do acampamento. Ela acusou o governador Ibaneis Rocha (MDB) de “projeto de ditador” e afirmou que a ação estadual removeu os acampamentos para favorecer a esquerda. Em sua rede social, ela afirmou que “chegou a hora de ucranizar esse país” e afirmou que “voltaremos mais fortes”.

Parlamentares da oposição repudiaram as ameaças ao STF. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) classificou a ação como “ataque contra o prédio do STF”. O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que os manifestantes estão “estimulados pelo discurso de ódio de Bolsonaro” e “atacam símbolos da democracia”. A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) escreveu que os apoiadores de Bolsonaro “seguem demonstrando simpatia por regimes autoritários” e afirmou que a ação é “inadmissível”.

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