Política

Greve em São Paulo: Sindicatos rebatem Tarcísio e reforçam movimento contra privatizações

A nova paralisação unificada entre funcionários do Metrô, da CPTM, da Sabesp e de outras categorias foi classificada como ‘oportunista’ pelo governador

Foto: Paulo Iannone/Sindicato
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“A motivação dos sindicatos de metroviários, ferroviários, Sabesp e Fundação Casa estarem nessa greve é a defesa dos seus postos de trabalhos”: essa é a avaliação de Camila Lisboa, presidenta do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, após o pronunciamento do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre a greve desta terça-feira 28. 

Na sede do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio reforçou que “não há acordo” sobre os projetos de privatização e que a greve “não está ligada a pautas trabalhistas”. 

“As desestatizações e os estudos para concessões não vão parar, não adianta fazer greve com esse mote”, declarou. “A operação da Sabesp vai acontecer no ano que vem, podem ter certeza disso, e vai ser um grande sucesso.”

Segundo Lisboa, porém, “isso não significa que o projeto dele não pode ser questionado”. A privatização da Sabesp, por exemplo, tem a oposição de metade dos paulistas, segundo uma pesquisa Datafolha de abril.  

Ao mencionar o caso da Enel, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica, ela argumenta que, ao contrário do que alega Tarcísio, a principal demanda da paralisação envolve os riscos da privatização para o trabalho dos funcionários. 

“Não é verdade que a nossa greve não tem pauta trabalhista. Não houve nenhuma privatização no Brasil que não significou redução dos postos de trabalho”, afirmou. “Olhem aí o caso da Enel, que, desde a privatização, cortou 36% dos funcionários. Resultado: apagão e lentidão em restabelecer a luz.”

Para José Antonio Faggian, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o Sintaema, a ofensiva pela privatização da Sabesp é inexplicável do ponto de vista da eficiência da empresa. 

“Tarcísio não tem argumentos para justificar a privatização de uma empresa lucrativa e com boa avaliação diante da população”, resume. “A Sabesp atua em 375 municípios garantindo saneamento e esgotamento sanitário para 30 milhões de paulistas.”

O processo de venda da Sabesp é o mais acelerado entre companhias das categorias envolvidas na paralisação. Esta é a terceira greve contra as privatizações em São Paulo somente neste ano. 

Diante da afirmação de que a greve penaliza os trabalhadores, os sindicatos reafirmam que o movimento estava previsto desde 30 de outubro, conforme mostrou CartaCapital, e que desde então tentam contato com o governo e prefeitura de São Paulo para amenizar as consequências e promover acordos, sem sucesso.

Eles afirmam ter proposto às gestões a suspensão da tramitação do projeto de privatização da Sabesp, um plebiscito para que a sociedade votasse sobre o tema e a catraca livre, a fim de facilitar a circulação da população. As recomendações foram rejeitadas.

Ainda nesta terça-feira deve ocorrer um ato público das categorias na Assembleia Legislativa de São Paulo. 

Situação dos transportes públicos

A Justiça do Trabalho determinou o funcionamento mínimo de 80% dos serviços das linhas de metrô nos horários de pico, entre 6h e 9h e entre 16h e 19h, e de 60% nos demais períodos. Já a CPTM deve operar com 85% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais intervalos. 

Até as 11h, apenas a linha 15-Prata estava com a operação completamente paralisada. Confira a situação das demais linhas:

  • Linha 1-Azul: Operando entre Ana Rosa e Tiradentes. 
  • Linha 2-Verde: Operando entre Alto do Ipiranga e Clínicas. 
  • Linha 3-Vermelha: Operando entre Bresser e Santa Cecília. 
  • Linha 7-Rubi: Operando entre Luz e Caieiras.
  • Linha 10-Turquesa: Operando entre Brás e Mauá. 
  • Linha 11-Coral: Operando entre Luz e Guaianases. 
  • Linha 12-Safira: Operando entre Brás e Calmon Viana. 
  • Linha 13-Jade:  Operando entre Engenheiro Goulart até Aeroporto Guarulhos.

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