Governo tira do ar portal com dados sobre o uso de drogas no Brasil

Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas passou para as mãos de Osmar Terra em janeiro, e desde então está indisponível

Foto: Abelardo Mendes Jr/Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania

Foto: Abelardo Mendes Jr/Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania

Política,Saúde

Depois de Osmar Terra, ministro da Cidadania, ter dito que não ‘confiava’ na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a divulgação dos novos dados sobre o consumo de drogas no Brasil, uma reportagem do jornal O Globo revelou que os dados históricos sobre o assunto estão fora do ar no site da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad).

O portal Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) encontra-se sem movimentação desde o dia 8 de janeiro, de acordo com apuração feita com a plataforma Way Back Machine, um banco de dados digital.

Apesar de a Senad pertencer ao Ministério da Justiça, encabeçado por Sérgio Moro, o portal Obid passou às mãos de Osmar Terra no dia 2 de janeiro a partir de um decreto. Em resposta, o Ministério da Cidadania informou que “o portal está sendo migrado e atualizado”, mas não deu uma data limite para a normalização.

Osmar Terra e sua relação com as pesquisas sobre drogas sustentam a discussão da existência ou não de uma ‘epidemia’ no Brasil, defendida pelo ministro. Segundo carta publicada nas redes sociais, Terra está sendo ‘vítima de ataques sem precedentes’ em função da defesa da internação involuntária – o projeto de lei (PLC 37), elaborado pelo ministro quando este ainda era deputado, foi aprovado pelo Senado no dia 15 de maio.

Especialistas no tema e a própria Fiocruz – que atestou a utilização de metodologia certificada internacionalmente para combater as críticas de ‘viés ideológico’ apontadas por Terra – dizem que o Brasil está na contramão mundial em relação às políticas para redução do uso de drogas.

Segundo especialistas, a proposta de Terra empodera comunidades terapêuticas, privilegia a abstinência no tratamento da dependência – contestável, segundo modelos internacionais de países que reduziram o número de usuários – e abre caminho para internações à força.

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