Política

Governo de SP muda nome de estação de metrô Paulo Freire para Fernão Dias

Segundo a companhia, a mudança acontece após realização de pesquisa de opinião entre moradores da região onde ficará a futura estação

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Mauro Pimentel/AFP
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O Metrô de São Paulo decidiu alterar o nome da futura estação Paulo Freire para Fernão Dias. A informação é da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.

A estação fará parte da linha 2-Verde do metrô e estará situada na rua Paulo Freire, próxima ao córrego Cabuçu, na divisa entre São Paulo e Guarulhos. A decisão ocorreu em janeiro, após Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumir o governo.

Em nota, o Metrô afirmou que a mudança aconteceu após a realização de uma pesquisa de opinião feita com moradores de regiões próximas à futura estação. Feita no final de 2022, a pesquisa apontou, segundo o Metrô, que o nome Fernão Dias teve 57% das preferências, contra 29% do nome Paulo Freire e 14% de Parque Novo Mundo.

Durante todo o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tinha como ministro o atual governador de São Paulo, o nome do educador Paulo Freire foi alvo de ataques, tanto pelo próprio ex-presidente, quanto por seus apoiadores. Em diversas ocasiões, Bolsonaro se referiu a Freire como “energúmeno”, criticando o seu método de ensino.

Em 2012, Paulo Freire (1921-1997) foi declarado patrono da educação brasileira. Na sua obra mais conhecida, “A Pedagogia do Oprimido”, Freire propõe um modelo de ensino baseado na educação dialógica, que tem como base a participação dos educandos nos processos de aprendizado, por meio da reflexão crítica sobre o meio em que vivem. Ele é reconhecido como um dos intelectuais mais importantes da história do pensamento sobre Educação, tendo recebido dezenas de títulos de doutor honoris causa em universidades da Europa, do Brasil e dos Estados Unidos.

Fernão Dias (1608-1681), que dará nome à futura estação, foi um bandeirante paulista. Ele foi um dos responsáveis pelas expedições ocorridas no interior do Brasil, nos séculos XVI e XVII, que buscavam metais preciosos e promoviam a escravização da população indígena. Ele ficou conhecido como “Caçador de Esmeraldas”. 

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