Política

Governo Bolsonaro destrói programa alimentar mesmo com avanço da fome, diz site

Reportagem do UOL mostrou que só 89 mil reais foram gastos até maio de 2022 no programa Alimenta Brasil; em 2012, investimentos no programa ultrapassaram 500 milhões

Foto: EVARISTO SA / AFP
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O governo de Jair Bolsonaro (PL) reduziu a quase zero o programa de aquisição de alimentos da agricultura familiar em 2022. A ação era voltada para garantir a segurança alimentar das camadas mais pobres da população, segmento que cresceu de forma alarmante durante a atual gestão. O corte também ocorre em meio ao avanço da fome e da pobreza no País. As informações são do site UOL.

O programa, que era chamado de Programa de Aquisição de Alimentos e foi rebatizado pelo governo Bolsonaro de Alimenta Brasil, chegou a ter 586 milhões de reais aplicados em 2012. Em 2019, primeiro ano de governo do ex-capitão, os recursos disponíveis para a compra de alimentos não passaram de 100 milhões. No ano seguinte, com o avanço da pandemia, emendas parlamentares fizeram o Alimenta Brasil voltasse ao patamar dos 500 milhões de reais disponíveis. O governo, no entanto, executou menos de 300 milhões.

Em 2021, apesar da continuidade da pandemia, nova queda acentuada no orçamento, que passou para 58,9 milhões de reais. Naquele ano, o governo chegou a apresentar a iniciativa na ONU como ‘importante estratégia para o combate à fome e à desnutrição.’ Apesar da propaganda, em 2022, o governo praticamente extinguiu o programa e gastou apenas 89 mil reais até maio.

Além do corte significativo no orçamento para a compra de alimentos, o governo Bolsonaro, conforme registra a reportagem, também alterou critérios para a distribuição dos poucos alimentos comprados. Como a maior parte dos recursos passou a ser vinculado ao orçamento secreto, ficou ainda mais difícil acompanhar para quais regiões o dinheiro foi disponibilizado. Os critérios adotados também sofrem com a falta de transparência.

Segundo o site, sem os recursos, diversas cooperativas encerraram suas atividades e projetos assistenciais reduziram a qualidade da comida oferecida para as camadas mais pobres da sociedade.

Conforme destacado, o corte ocorre em meio aos altos índices de insegurança alimentar do Brasil. De acordo com levantamento da Fundação Getúlio Vargas divulgada no final de maio, a taxa brasileira é superior ao da média mundial. “A parcela de brasileiros que não teve dinheiro para alimentar a si ou a sua família em algum momento nos últimos 12 meses subiu de 30% em 2019 para 36% em 2021, atingindo novo recorde da série iniciada em 2006. É a primeira vez desde então que a insegurança alimentar brasileira supera a média simples mundial”, diz trecho da pesquisa.

Para o deputado Heitor Schuch (PSB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, está em curso um desmonte das políticas públicas voltadas aos mais vulneráveis.

“O que estamos vendo é o governo tirando recursos do setor produtivo, dos programas sociais, dentro daquilo que o governo, desde o primeiro momento, disse que como ia tratar as políticas públicas”, afirmou Schuch ao site.

O Ministério da Agricultura foi procurado, mas indicou que os recursos seriam de responsabilidade do Ministério da Cidadania. A pasta, no entanto, não respondeu aos questionamentos do site.

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