Política

Estatal que recebeu R$ 3 bilhões em emendas na gestão Bolsonaro não consegue provar valor de obras, diz jornal

Caso foi revelado por uma auditoria independente na Codevasf, estatal que foi entregue por Bolsonaro para o Centrão

O ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Rogério Marinho. Foto: Marcos Corrêa/PR
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A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, a Codevasf, fechou 2021 sem conseguir comprovar no balanço os valores reais das obras que ela mesmo executou. Ao todo, a empresa que foi entregue por Jair Bolsonaro (PL) ao Centrão recebeu ao menos 3 bilhões de reais em emendas parlamentares. As informações são do jornal Folha de S. Paulo deste domingo 10.

Segundo a reportagem, o problema no balanço da estatal, que não conseguiu comprovar o valor das obras, foi identificado por uma auditoria independente, chamada Russell Bedford. No documento, há a ressalva de que a Codevasf encerrou o ano ainda ‘verificando a existência das operações’ da carteira de obras para só então apresentar os números de maneira confiável.

“A companhia apurou todas as operações registradas na contabilidade, mas ainda está verificando a existência das operações registradas para realizar os devidos ajustes contábeis e, assim, apresentar o saldo contábil de forma fidedigna”, diz um trecho do documento obtido pelo jornal.

Questionada se realmente não sabe o valor das próprias obras que estão em andamento, a estatal afirmou que “a manifestação da auditoria independente apresentada como ressalva diz respeito a sistematização de informações” e que teria desenvolvido um “novo método” para resolver o problema apontado.

O sistema, segundo o próprio Ministério do Desenvolvimento Regional, ao qual a Codevasf está vinculada, será implementado apenas ao longo de 2022. Não há maiores detalhes de como ele irá funcionar, nem a data exata que será implementado.

Ao todo, a Codevasf afirma no balanço ter um saldo de 2,7 bilhões em obras, mas os auditores não conseguem confirmar o valor. Cabe ressaltar ainda que, segundo o balanço, a estatal registrou um prejuízo de 358 milhões de reais em 2021.

No sábado 9, o jornal Folha de S. Paulo já havia revelado outras irregularidades envolvendo a Codevasf. Segundo a reportagem, o governo Bolsonaro promoveu um afrouxamento no controle sobre obras de pavimentação feitas pela Codevasf para acomodar uma crescente no volume de injeção de verbas de emendas na empresa. Foram realizadas, por exemplo, licitações com dados fictícios usados para abranger estados inteiros.

Os problemas no balanço se somam a um relatório da Controladoria-Geral da União na terça-feira 5, em que ele afirma terem sido “identificadas falhas nos procedimentos de monitoramento da execução física das obras de pavimentação, que ocorre, predominantemente, nas superintendências regionais da Codevasf”.

A CGU ainda identificou um sobrepreço de 3,3 milhões reais na compra de dez máquinas adquiridas pela Codevasf com recursos das emendas de relator no ano passado. Segundo a CGU, os indícios apontam que as ações da empresa podem estar sendo realizadas para atender interesses privados.

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