Em SC, Bolsonaro dobra a aposta em remédios ineficazes e evoca o PT: ‘Imagine se aqui estivesse o Haddad’

'Na África não existe nada, só ivermectina', disse o presidente em Chapecó. Sem base, tornou a criticar o distanciamento social

Foto: Reprodução/TV Brasil

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Política

O presidente Jair Bolsonaro ignorou o recorde de mortes por Covid-19 registrado na terça-feira 6. Durante viagem a Chapecó, em Santa Catarina, nesta quarta-feira 7, voltou a se manifestar contra as medidas de distanciamento social e a defender medicamentos ineficazes contra a doença.

“Quem abre mão de um milímetro de sua liberdade em troca de segurança está condenado a, no futuro, não ter segurança nem liberdade. Eu fui acometido de Covid. Procurei não me apavorar. Tomei um medicamento, todo mundo sabe qual foi, e no dia seguinte estava bom. Muitos fizeram isso. Agora, não podemos admitir impor limite a médico. Se um médico não quer receitar aquele medicamento, que não receite. Se um outro cidadão qualquer acha que aquele medicamento não está certo porque não tem comprovação científica, que não use”, declarou.

“Por que determinados países da África não falam em vacinar? Porque não têm dinheiro, não têm vacina hoje em dia para todo mundo. Na África não existe nada. Existe ivermectina”, acrescentou.

 

 

“Esse vírus, como outros, veio para ficar. E vão ficar pela vida toda. É praticamente impossível erradicá-los. E até lá vamos fazer o quê? Ver o nosso País empobrecer?”, disse ainda.

O discurso foi marcado por críticas, sem evidências, a todas as medidas de distanciamento social e restrição de circulação. “Não podemos ficar em casa ad aeternum esperando que a solução caia do céu”, declarou.

“Não vai ter lockdown nacional, como alguns ousam dizer por aí que as Forças Armadas deveriam ajudar alguns governadores nas suas medidas restritivas. O nosso Exército brasileiro não vai à rua para manter o povo dentro de casa. A liberdade não tem preço. Devemos fazer todo o possível para buscar soluções. Temos agora um ministro médico. Tivemos outro militar, que fez um excelente trabalho, reconhecido pelo doutor Queiroga, no Ministério da Saúde, foco de corrupção desenfreada”.

Bolsonaro também se contrapôs a especialistas ao defender que o plenário do Supremo Tribunal Federal mantenha, em julgamento nesta quarta, a decisão do ministro Kassio Nunes Marques que liberou cerimônias religiosas presencialmente, o que costuma causar aglomerações.

“Espero que ao STF julgar liminar de Kassio Nunes, que a liminar seja mantida ou que alguém peça vista para discutir mais”, disse Bolsonaro. “Qual é o último local que uma pessoa procura antes de cometer um suicídio? A igreja. Quem não é cristão, que não vá”, completou.

Na reta final de seu discurso, Bolsonaro voltou a citar o PT, em meio à recuperação dos direitos políticos do ex-presidente Lula e à queda da popularidade de seu governo. “Imagine os senhores se aqui estivesse o Haddad, do PT, como estaria o Brasil. Olhem outros países onde a esquerda fala mais alto, como o vizinho mais ao sul dos senhores (Argentina)”.

 

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