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Em ‘recado’ a Israel, Dino rechaça uso político de operação da PF contra supostos terroristas no Brasil

Na última quarta-feira 8, PF deflagrou operação para impedir ataque terrorista contra comunidade judaica; horas depois, gestão de Netanyahu ‘antecipou’ resultados da ação

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou, nesta quinta-feira 9, que “nenhum representante de governo estrangeiro pode pretender antecipar resultado de investigação conduzida pela Polícia Federal”. Em publicação na rede X – antigo Twitter -, Dino fez referência à Operação Trapiche, deflagrada ontem para interromper supostos atos preparatórios de terrorismo no país.

“Apreciamos a cooperação internacional cabível, mas repelimos que qualquer autoridade estrangeira que cogite dirigir os órgãos policiais brasileiros, ou usar investigações que nos cabem para fins de propaganda de seus interesses políticos”, ressaltou Dino. 

A publicação é um recado à equipe de governo de Benjamin Netanyahu. Logo após a operação de ontem, o governo de Israel divulgou uma nota afirmando que a Mossad apoiou a ação da PF no Brasil. Agência de inteligência estrangeira, a Mossad atua coordenando ações fora de Israel. 

“As forças de segurança segurança brasileiras, juntamente com o Mossad e os seus parceiros […] e outras agências de segurança internacionais, frustraram um ataque terrorista no Brasil, planejado pela organização terrorista Hezbollah, dirigida e financiada pelo Irã”, diz a publicação do gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

No mesmo dia, o embaixador de Israel em Brasília, Daniel Zonshine, participou de uma reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com parlamentares da oposição, no Congresso Nacional. A ideia era apresentar “imagens exclusivas” do conflito entre Israel e o grupo Hamas.

Na publicação de hoje, ao rechaçar a interferência estrangeira na antecipação de resultados de investigação no país, Dino destacou que as investigações da PF “começaram antes da deflagração das tragédias em curso na cena internacional”, em referência à guerra no Oriente Médio, que começou no último dia 07 de outubro.

“Quando legalmente oportuno, a Polícia Federal apresentará ao Poder Judiciário do Brasil os resultados da investigação técnica, isenta e com apoio em provas analisadas exclusivamente pelas autoridades brasileiras”, pontuou Dino.

Operação Trapiche

Na operação de ontem, agentes da PF cumpriram dois mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão, em Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal. As duas prisões foram realizadas em São Paulo, uma delas no Aeroporto de Guarulhos.

Segundo a corporação, os recrutadores e os recrutados devem responder pelos crimes de constituir ou integrar organização terrorista e de realizar atos preparatórios de terrorismo, cujas penas máximas, somadas, chegam a 15 anos e 6 meses de reclusão.

Os investigadores da PF ainda não confirmaram os nomes dos presos, mas indicaram que o grupo investigado planejava promover atentados contra sedes de comunidades judaicas no Brasil.

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