Em nova provocação à China, Bolsonaro volta a insinuar que o coronavírus pode ter ‘nascido em laboratório’

'Ainda não tenho provas', admitiu o presidente durante culto evangélico em Anápolis (GO)

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP

Política

O presidente Jair Bolsonaro voltou a insinuar, sem apresentar quaisquer evidências, que o novo coronavírus pode ter sido criado em laboratório. A ‘tese’ conspiracionista é compartilhada com frequência por seguidores bolsonaristas, sempre desprovida de embasamento científico.

 

 

“Tivemos um problema seriíssimo, a tal da pandemia. Ainda não tenho provas, mas esse vírus nasceu de um animal ou nasceu de um laboratório? Eu tenho na minha cabeça de onde ele veio e para quê. Mas ele está aí, está entre nós”, disse o presidente durante culto evangélico na cidade de Anápolis, em Goiás, nesta quarta-feira 9.

A declaração não é novidade. No dia 5 de maio, em evento no Palácio do Planalto, Bolsonaro insinuou que o coronavírus teria sido produzido no âmbito de uma “guerra química”.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou nasceu porque um ser humano ingeriu um animal inadequado. Mas está aí”, afirmou o presidente, em mais uma clara provocação à China, país do qual o Brasil depende para obter insumos indispensáveis à produção de vacinas.

“Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, completou, na ocasião.

Horas depois, tentou negar ter se referido à China no polêmico discurso.

“Eu falei a palavra ‘China’ hoje de manhã? Eu não falei. Eu sei o que é guerra bacteriológica, guerra química, guerra nuclear. Eu sei porque tenho a formação. Só falei isso, mais nada. Agora, ninguém fala, vocês da imprensa não falam onde nascem os vírus. Falem. Ou então têm medo de alguma coisa? Falem. A palavra ‘China’ não estava no meu discurso de quase 30 minutos de hoje”, disse Bolsonaro na noite de quarta-feira.

Após reiterados ataques de Bolsonaro e seus apoiadores à China, o presidente da farmacêutica chinesa que fabrica a Coronavac recomendou uma mudança de postura por parte do governo brasileiro para continuar a enviar doses do imunizante.

A informação consta em documento sigiloso do Itamaraty enviado à CPI da Covid e obtido pelo jornal O Globo. Diplomatas brasileiros se reuniram em Pequim, em 19 de maio, com o presidente da Sinovac, Weidong Yan, para negociar o encaminhamento de insumos.

O executivo, segundo o relato, pediu uma mudança na conduta do Brasil, para que houvesse uma relação “mais fluida” entre os países. Também “fez questão de ressaltar a importância do apoio político para a realização das exportações, e mesmo a possibilidade de tratamento preferencial a determinados países”.

 

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