Política

Em homenagem a Marielle, Silvio Almeida defende recuperar o controle de territórios em poder da milícia

Autora do requerimento para a sessão solene, Talíria Petrone (PSOL-RJ) reforçou a necessidade de responsabilizar os mandantes da execução

Homenagem à Vereadora Marielle Franco e a Anderson Gomes (in memoriam). Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Luiz de Almeida - Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados
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O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, afirmou que os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes marcaram o início de um processo de “degradação institucional da sociedade brasileira”.  Ele também defendeu a adoção de uma política de Estado para retomar o controle de territórios em poder do crime.

A declaração foi concedida nesta terça-feira 26, na Câmara dos Deputados, em uma cerimônia solene em memória da vereadora e de seu motorista, executados a tiros em março de 2018, no Rio de Janeiro. 

No último domingo 24, a Polícia Federal prendeu os supostos mandantes do crime: o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Domingos Brazão, o deputado federal Chiquinho Brazão (expulso do União Brasil) e o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa.

Em seu discurso, Silvio Almeida sustentou ser necessário recuperar o território brasileiro das milícias.

“Não existirá política de segurança pública sem que o povo brasileiro retome o controle de seus territórios a partir de uma política de Estado”, afirmou. “A política de segurança pública vai nos exigir ter controle do Estado, que é fazer reforma agrária, reforma urbana, demarcação de terra indígena, titulação quilombola. Sem isso, não temos política de segurança, porque é nessas ausências do Estado que o crime organizado se infiltra.”

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), responsável por presidir a sessão, reforçou a importância de responsabilizar os mandantes dos assassinatos.

“É preciso que aproveitemos este momento de tanta dor e evidência da relação entre crime e política para enfrentar as milícias”, declarou. “É responsabilidade do Parlamento a cassação de Chiquinho Brazão. É papel da política brasileira enfrentar este quadro. As milícias estão em 15 estados brasileiros e não podemos nos calar.”

Segundo Petrone, também é papel do Congresso confirmar, com celeridade, a prisão de Chiquinho. A Comissão de Constituição e Justiça analisa o caso nesta terça.

O enfrentamento às milícias e aos mandantes dos assassinatos também marcou o discurso da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que relembrou a convivência com Marielle. 

“Estou me esforçando pra não chorar, porque eles não merecem nossas lágrimas, mas o nosso protesto. Temos que pedir que eles sejam verdadeiramente condenados, e não que paguem fiança e daqui a pouco estejam entre nós”, cobrou a petista. “É preciso fazer justiça, ela tem que ser concreta.”

Estiveram presentes na sessão:

  • Agatha Reis – viúva de Anderson Gomes; 
  • Benedita da Silva (PT-RJ) – deputada federal e ex-prefeita do Rio de Janeiro; 
  • Érika Hilton (PSOL-SP) – deputada federal; 
  • Fernanda Chaves – jornalista sobrevivente do atentado que matou Marielle e Anderson;
  • Gleisi Hoffmann (PT-PR) – deputada federal, presidente do PT; 
  • José Guimarães (PT-CE) – líder do Governo na Câmara 
  • Luiza Erundina (PSOL-SP) – ex-prefeita de São Paulo e deputada federal; 
  • Maria do Rosário (PT-RS) – deputada federal; 
  • Odair Cunha (PT-MG) – deputado federal, líder da Federação PT-PCdoB.

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