Em feira, Bolsonaro diz que grafeno é ‘o futuro’ do Brasil. Mas pesquisas estão paradas

O Brasil ainda não alcançou uma solução tecnológica para produção em larga escala do material

Jair Bolsonaro e Marcos Pontes. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Jair Bolsonaro e Marcos Pontes. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Política

Nessa sexta-feira 9, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, astronauta Marcos Pontes participaram da abertura da primeira Feira Brasileira do Grafeno, que acontece em Caxias do Sul (RS) e vai até sexta da semana que vem 16.

As autoridades também participaram da inauguração oficial da UCSGraphene, a primeira e maior planta de produção de grafeno em escala industrial da América Latina instalada por uma universidade, a Universidade de Caxias do Sul.  O laboratório já havia sido inaugurado em 15 de abril do ano passado, em cerimônia para público restrito e transmissão pela internet.

A expectativa do reitor da Universidade, Evaldo Kuiava, é que, com o presidente vendo de perto o trabalho desenvolvido pela UCSGraphene, o governo federal aporte recursos para a ampliação da fábrica, além de investimento em projetos para a aplicação do produto. Segundo ele, a planta fabril tem laboratório robusto, mas, quando a escala é industrial, a demanda é ampla. Por isso, a necessidade de recursos para ampliação, sem especificar valores necessários.

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro afirmou querer o Brasil como ‘polo mundial’ em grafeno. Em redes sociais e em entrevistas, ele defendia a necessidade de explorar o potencial das reservas brasileiras existentes para a produção do material. Ao lado do nióbio, o grafeno é apontado por ele como um potencial propulsor de novos investimentos na economia brasileira.

No entanto, os cortes das bolsas de pesquisa promovidos pelo governo federal também afetaram a continuidade dos estudos envolvendo o material.

O grafeno é derivado do grafite, um dos materiais mais fortes e leves do mundo. Duzentas vezes mais resistente que o aço, é considerado um dos maiores recursos da atualidade para aplicações em alta tecnologia.

Especialistas afirmam, contudo, que a abundância do grafeno em solo brasileiro não necessariamente dá ao Brasil a dianteira na produção do mineral, que é encontrado no mundo o faz sair na frente na produção do minério, que é encontrado no mundo inteiro.

O Brasil ainda não alcançou uma solução tecnológica para produção em larga escala. Enquanto isso, outros países têm investido fortemente na área. Sem o devido investimento nas pesquisas, o desenvolvimento do material no país pode se tornar rapidamente obsoleto.

Bolsonaro se tornou um entusiasta do grafeno durante sua visita ao Japão, em 2018, quando conheceu o uso do material, por exemplo, no desenvolvimento de um submarino nuclear.

Mercado de armas

Taurus, fabricante de armas de fogo, é uma das participantes da Feira Brasileira do Grafeno e lançou nessa sexta-feira 9 um modelo produzido com o composto. O projeto foi uma parceria com a Universidade de Caxias do Sul.

Logo após o anúncio, as ações preferenciais da empresa subiam 3,1%, cotadas a R$ 28,30. O volume está em R$ 77,1 milhões , com 7,6 mil negócios. O volume no pregão de ontem foi de R$ 65,9 milhões.

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Repórter do site de CartaCapital

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